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Tuesday, February 07, 2006

Caldeirão

Sei que ultimamente não tenho escrito textos de interesse mais amplo na língua portuguesa, com ênfase no cotidiano da vida cristã. Acho que para piorar, os textos que tenho escrito recentemente são trabalhos acadêmicos que muitas vezes não interessa a quase ninguém.
Estou ciente disto, porém, mesmo sem está escrevendo, tenho lido, visto e ouvido a muitos aqui.
A comparação disto seria como alguém que apenas observa, mas que quase não abre a boca para falar. Tenho lido, sobre quase tudo no campo da teologia, entre teólogos liberais, ortodoxos, neo-ortodoxos, neo ou pós-liberais. Tenho lido teologia produzida no Brasil (de boa e de má qualidade), nos EUA (idem), na Europa, e até na Africa.
O caldeirão de idéias não pára por aí. Tenho feito amizades com pessoas de diferentes religiões, culturas e histórias. Com isto, eu vejo como se comportam pessoas que são de orientação cristã da India, da Alemanha, da Africa, da China ou Korea. Outras que não são cristãos, mas pertencem à religião oficial dos seus respectivos países, como Hindus do Nepal, ou Mulçumanos da Turquia. Todos estes trazem ao caldeirão da minha vida as suas experiências, suas lutas e suas esperanças. E eu não sou cego para que não veja a diversidade de cada indivíduo neste grande spectrum de ideologias e crenças.
Porém, ainda que pareça que tudo isto seja suficiente, ainda posso dizer que tem mais. Congrego em uma igreja Batista, localizada no coração do Texas, no que chamamos de “Bible Belt”, ou seja, o cinturão da Bíblia. Ou como outros preferem chamar, os “Southern Baptists” que quer dizer Batistas do Sul. Esta região, e mais especificamente este grupo Batista, pode ser considerado um dos grupos religiosos mais fundamentalistas do planeta. Em dizendo isto, não quero trazer nenhuma conotação negativa, nem tão pouco positiva. Isto é apenas uma característica que eu estou apontando. Tenho ouvido semana após semana, os sermões que procedem da boca de pregadores de diversas partes do Estado do Texas. Também tenho parado em salas de aula do Seminário, para ouvir teólogos (as) e historiadores. Cheguei ao ponto de ouvir até a esposa de um dos professores que falava sobre o papel da esposa do pastor e sua influência sobre a congregação. Cada um destes que citei acima das mais diferentes linhas de pensamento, posições e ações. Portanto, dá para se notar que tenho “ouvido” bastante.
A sensação que eu tenho é que todas essas influências estão de certa forma sendo processadas em meu cérebro, onde juntamente com a leitura da Bíblia, especialmente em uma perspectiva totalmente Cristocêntrica, não apenas em termos teológicos, mas também em termos hermenêuticos, ou seja, Jesus (vida e ministério) como a única lente da interpretação bíblica, e a cruz do Calvário como a demonstração maior do amor e graça de Deus sobre os homens, trazendo sobre mim a noção de que eu não sei de quase nada e que Deus é mistério puro.
Sei que estou sendo bastante relativo e pluralista, mas quando se vive neste caldeirão, apenas os que não tem uma mente crítica, ousaria dizer que sabem alguma coisa. Quando saímos do nosso mundo, da nossa realidade, da nossa segurança, e partimos para aquilo que não conhecemos, percebemos que existem muito mais realidades fora, onde meus olhos não alcançam, do que dentro, onde eu posso até tocar com as minhas mãos.
E o resultado de tudo isto? Seria bom ou mau? Trágico ou esperançoso? Para a vida ou para a morte? Não sei! O que sei é que hoje, mais do que nunca, creio que existe um Deus acima de mim, que não ama apenas as pessoas dos mais variados segmentos religiosos, mas que ama o mundo inteiro igualmente. Sei que existe um Jesus, que caminhou neste planeta, que amou aqueles que não mereciam e nEle a plena divindade e a plena humanidade se encontraram e se beijaram. Isto são convicções que estão arraigadas em meu coração e que de lá não sairão jamais. O resto eu não sei, e creio que jamais vou saber em sua completude, e não tenho medo de confessar isto. Sou relativo e estou em processo, e assim estarei até o dia em que o Senhor da vida me levar. Enquanto isto não acontece, eu leio, vejo e ouço o que todos dizem ser a verdade para elas. E quanto mais faço isto, mais eu me lembro das palavras de Jesus que diz: “Ame o teu Deus de todo o teu coração, e ao teu próximo como a ti mesmo”. É neste caldeirão, onde eu vejo o amor de Deus e onde eu tenho a oportunidade de mesmo em meio aos mais diferentes estilos de vida e de adoração, mostrar e viver o amor de Deus através da minha consciência em Jesus Cristo, como o único Senhor e Salvador da humanidade.

No amor de Cristo,

Rodrigo Serrão

1 comment:

Adriana Simões said...

Bem, antes de falar algo sobre o belo texto elaborado por vc, quero te dizer que, seus posts acadêmicos ou outros me interessam, mesmo os que vc põe em inglês, me esforço e tento tirar algum proveito. Neste caso aqui estou falando por mim, e sei que vc já sabia disso :) !!

Quanto ao texto, no final vc disse tudo, que independente do "caldeirão" que vc viva, das inúmeras informações, das experências ouvidas de outras bocas e dos costumes aprendidos ou visualizados, a sua fé jamaisss será abalada.

Você crer e sabe que temos um Deus maravilhoso, que mandou seu único filho por puro amor a nós, que cuida e se preocupa com esses seres humanos sem merecimento que somos.

Ro, nosso Deus é tremendo, e essas oportunidades que aparecem em nossas vidas, muitas são provocadas por Ele mesmo.

Lindo o seu texto, vc sabe que escreve muito bem.

Deus te abençoe
Bjs

Dri