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Monday, June 28, 2010

Mensagem (27/06/2010)




Série: A FÉ QUE AGE
Sermão: Tiago 3:13-18
Pregador: Pr. Rodrigo Serrão

A Verdadeira e a Falsa Sabedoria
Introdução:
Depois de lidar com os problemas devastadores da língua, Tiago nos apresenta o antídoto para este problema, a sabedoria.
Aqui, ele mostrará que existem 2 sabedorias: a do alto e a da terra (a verdadeira e a falsa sabedoria). 
Entretanto, Tiago começa mostrando que a sabedoria é algo prático.
1.     A sabedoria é prática
 Quem dentre os ouvintes e leitores de Tiago (os mesmos que ele aconselha acerca da língua), se consideram sábios e entendidos?  Esta pergunta pode ser retórica, mas o ponto de Tiago é mostrar que sabedoria e entendimento não são demonstrados por teorias ou por capacidade intelectual, mas sim, por práticas de obras sábias das decisões do dia-a-dia.  A sabedoria deve ser mostrada através de obras.  
Depois de falar do aspecto prático da sabedoria, Tiago nos apresenta a diferença entre os dois tipos de sabedoria.
Primeiro ele fala sobre a sabedoria da terra.
2.     A sabedoria da terra (14-16)
2.1 Evidências de uma falsa sabedoria (14)
A palavra que traduzimos por inveja é no original grego zelós de onde vem a palavra zelo.  Contudo, esse zelo aqui não é saudável, não é o zelo que eu tenho por minha esposa por exemplo, mas sim um zelo doentio, um zelo fanático que consome e absorve aquele ou aquilo a quem este zelo é direcionado. 
Em uma das escolas em que trabalho, existe duas garotas que não se separam em momento algum.  Elas estão sempre juntas tanto em classe quanto fora de classe.  A psicóloga da escola já percebeu um comportamento anormal nestas duas jovens.  Antes de ser alguma tendência homossexual, percebe-se que existe um zelo anormal uma pela outra.  Contudo, uma das garotas é mais dependente do que a outra.  Esta que é mais dependente talvez tente suprir suas carências na outra, aquilo que ela não possui naturalmente, e a outra sim, ela se aproxima e se projeta na outra.  Uma vez que isto acontece, ela já não mais aumenta seu círculo de amizade e qualquer pessoa que a outra menina quer se relacionar se torna alvo do desafeto e ciúmes desta. 
Tiago fala deste zelo e ainda usa o adjetivo amargo.  Isto traz um sentido mais profundo a este zelo (inveja), que pode ser interpretada como uma inveja arraigada ao ser por inteiro e que penetra todos os sentidos.  Ou seja, o coração humano é envenenado por uma inveja amarga e generalizada.  
Depois o autor fala do pecado de sentimento faccioso (ambição egoísta).  Mais ou menos o tipo de pecado encontrado em políticos e em pessoas que apenas visam seus interesses próprios.  O sentimento faccioso é aquele que não se importa com a unidade, mas apenas se importa com os interesses pessoais.  Aquele que possui um espírito faccioso normalmente quer ser melhor que os outros em tudo o que faz.  Não sabe ser humilde, não sabe ser simples, não sabe olhar para o interesse do próximo, mas apenas os dele.
Tiago diz que aquele que se comporta assim e se gaba dizendo que é sábio, está mentindo e não há verdade nele/nela.  Ele mente contra ele próprio e contra a verdade maior que é o evangelho de Cristo.
Agora imagine alguém dizendo que é Cristão, que é sábio, que tem o espírito de Cristo, mas não vive como tal.  Não controla a língua e não produz o fruto do espírito.  Apenas confessa algo que não vive.  Este não tem a sabedoria do alto, mas sim a sabedoria terrena.  Este mente contra a verdade e traz escárnio ao evangelho de Cristo. 
E aqui eu entro na questão do jeitinho brasileiro.  O que é o jeitinho brasileiro? O jeitinho brasileiro é tão somente a sabedoria da terra posta em prática apenas para beneficiar uma pessoa ou um pequeno grupo em detrimento de outras tantas.  Infelizmente, isto já virou sinônimo de cultura e é aceito como normal em nossa sociedade. 
Depois de mostrar as evidências da falsa sabedoria, Tiago agora nos mostra a origem de tal sabedoria.
2.2 A origem da falsa sabedoria (15)
Este versículo nos mostra de onde vem a inspiração para o jeitinho brasileiro e para todo tipo de sabedoria da terra.  Primeiro o autor deixa claro que não vem do céu.  Ou seja, não é divina.  Não há como uma sabedoria que resulta em espírito faccioso e em inveja vir de Deus.
Depois ele mostra de onde ela vem.  Vem da terra (mundana), é animal (natural), e por fim diabólica (do inferno).  
Sabedoria terrena (mundana) – tudo que a bíblia considera como mundano tem um aspecto de inferioridade em relação ao que é do alto ou celeste.  Pessoas de sabedoria terrena são pessoas muito ligadas às coisas desta terra.  Não no sentido de amar o mundo, mas no sentido de ser contaminado pelo mundo.  Suas motivações são sempre inferiores. 
E quanto a igreja? Também existem motivações erradas em nosso meio?
·        Talvez a sua motivação para o ministério seja o reconhecimento por parte de outras pessoas,
·        Talvez sua motivação para ajudar a outros seja uma barganha com Deus ou com homens,
·        Talvez sua motivação para pregar o evangelho seja dinheiro.
Qualquer motivação inferior para execução de algo para o Senhor pode-se dizer que isto é sabedoria terrena ou mundana.  A pessoa pode até pensar que está se saindo bem ou que está conciliando coisas do alto com interesses pessoais, mas a Bíblia chama isto de sabedoria mundana. 
E aqui eu me pergunto, onde é que estamos sendo diferentes das pessoas do mundo se até a sabedoria deles fazemos uso? E a resposta é depressiva, pois até de fato morrermos para esse mundo e vivermos para Cristo não haverá diferença.
Isto acontece no ambiente do coração, o que não é visto por ninguém mais além de você e Deus. 
Sabedoria animal (natural) – aqui a palavra no grego é psichikos.  Este adjetivo deriva da palavra que traduzimos como alma ou psique.  Está relacionada com a parte natural humana.  É a parte que nos iguala aos animais.  É o oposto de todo o lado espiritual humano.  Aqui estamos falando de carnalidade, humanidade crua. 
Não é a toa que o livro que mais usa esta palavra na Bíblia é 1 Coríntios (4 vezes) pois lida com crentes carnais. 
Esta palavra é traduzida por carnal, animal, sensual, natural, humana, egoísta em diversas versões de língua inglesa.
Ou seja, Tiago escolheu uma palavra que refletisse o ser humano em seu núcleo, a parte que apodrece do ser humano.  É uma palavra que denota a ausência total de qualquer coisa espiritual (boa ou ruim).  Ela é apenas relacionada ao homem e sua natureza pecaminosa. 
Sabe aqueles instintos totalmente animais que temos e que compartilhamos com outros animais.  Instintos de sobrevivência, sexual entre outros.  É disto que Tiago está falando aqui.  A sabedoria de baixo é totalmente natural e carnal.
E por fim:
Sabedoria demoníaca (do inferno) – a palavra usada aqui no grego é “daimonóides” uma variação da palavra “daimonion” ou demônio que significa demoníaco ou de origem demoníaca.  Tiago aqui entra no último nível da origem da inspiração da sabedoria da terra.  Aqui é o nível mais baixo.  Não basta esta sabedoria ser mundana, ser naturalmente humana, ela também é do diabo.  Ou seja, aqueles que dela se utilizam agem de acordo com o diabo, eles agem como o diabo agiria em qualquer que fosse a situação.  Ou seja, eles pactuam com o diabo e conseqüentemente se rebelam contra Deus. 
Uma tradução deste versículo mais acurada seria:
Deus não dá este tipo de sabedoria às pessoas.  Este tipo de sabedoria é a que as pessoas do mundo têm.  O Espírito de Deus não a dá.  Ao contrário, ela vem do próprio diabo.
Depois de mostrar as evidências e a procedência desta sabedoria, Tiago passa a falar sobre as conseqüências do uso desta sabedoria na vida das pessoas.
2.3 Conseqüências da falsa sabedoria (16)
Aqui Tiago mostra as conseqüências negativas que esta sabedoria causa.  A palavra grega para confusão é a mesma que foi usada no capítulo 1:8 para a pessoa de mente dividida e no capítulo 3:8 quando usada para a língua como algo incontrolável. 
Em 1Cor 14:33 Paulo, falando do mal uso dos dons espirituais aos coríntios diz, “porque Deus não é Deus de confusão, mas sim de paz...” Esse contraste entre a confusão e paz é o mesmo que podemos fazer entre a sabedoria terrena e a sabedoria do alto.  A terrena causa confusão enquanto a do alto causa paz. 
Algumas versões traduzem esta palavra como caos, tumulto, ou desarmonia.  Ou seja, aqueles que fazem uso desta sabedoria, são causadores de problemas, pessoas que vivem arrumando confusão. 
Além de confusão, os que fazem uso da sabedoria da terra também são pessoas que praticam a maldade.  Pessoas que deliberadamente fazem o mal. Não necessariamente o mal do tipo matar, esquartejar e colocar os pedaços em uma maleta, mas toda espécie de mal ou crueldade. 
Neste contexto de Tiago o mal é com certeza fazer mau uso da língua, não cuidar dos mais necessitados, querer dizer que é sábio sem ser, etc. 
Em 2 Cor 5:10 Paulo diz, “Porque é necessário que todos nós sejamos manifestos diante do tribunal de Cristo, para que cada um receba o que fez por meio do corpo, segundo o que praticou, o bem ou o mal.”    
Por isso devemos ter muito cuidado, pois, as conseqüências do uso da sabedoria da terra serão julgadas por Deus no grande dia do juízo.  
É importante olharmos para estas duas conseqüências da sabedoria da terra e fazermos uma auto-análise. 
Se em nossa vida há muita confusão e se nos deleitamos na maldade ou somos considerados pessoas de práticas más, sem dúvida nenhuma temos inveja e queremos ser melhor que os outros e conseqüentemente fazemos uso da falsa sabedoria.
Tiago aqui encerra sua apresentação da sabedoria da terra ou falsa sabedoria e nos apresenta a contra partida desta sabedoria, ou seja, a sabedoria do alto ou verdadeira sabedoria.
3.     A sabedoria do alto (17-18)
3.1  Lista dos frutos da verdadeira sabedoria (17)
A partir deste momento, Tiago vai listar os frutos ou aquilo que deve ser demonstrado na vida daquele que se acha sábio, a partir da sabedoria do alto.  Aqui, estes sete adjetivos devem ser característicos não apenas de indivíduos que buscam a sabedoria do alto, mas também de comunidades que professam o nome de Jesus. 
Não adianta apenas vermos estas características em pessoas isoladas, se não vemos isso na comunidade em geral. 
Os sete adjetivos são:
Puro: a pureza aqui está relacionada com a pureza de Deus.  Deus é puro e sua natureza é pura, limpa e pureza agrada a Deus. 
Salmos 73:1, diz “Verdadeiramente bom é Deus para com Israel, para com os puros de coração.”
Mateus 5:8, diz: “Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus.
1 João 3:2,3 diz: “Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifesto o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é, o veremos. E todo o que nele tem esta esperança, purifica-se a si mesmo, assim como ele é puro.”

Portanto, quem despreza a pureza despreza a Deus.  Aquele que se diz cristão e não tem uma atitude de pureza para com a vida, com as pessoas, este tem lutado contra a natureza divina, pois Deus é puro.
Por isso a sabedoria do alto é pura, pois provém de um Deus puro.
Pacífica: Neste sentido, a sabedoria do alto é oposta a terrena porque produz paz enquanto a terrena produz confusão (vs16). 
Paz aqui não é ausência de guerra somente, mas Tiago faz um uso de paz, mas parecido com a palavra hebraica Shalom.  Para os judeus, shalom era algo que abrangia o ser por completo. Trazia total satisfação para o ser e era ao mesmo tempo uma forma de harmonia entre os homens. 
A sabedoria do alto é de paz, faz paz, trás satisfação e completude no homem que a tem. 
Amável: a idéia aqui é de gentileza, de suavidade, de benignidade.  A sabedoria do alto não é rude, nem áspera, mas gentil e benigna assim como Cristo é benigno e manso.
Compreensiva: sabe quando uma pessoa quer ouvir a outra e se deixa convencer sem a insistência de querer sempre ter a última palavra?  Assim é a sabedoria do alto, ela é compreensiva, conciliatória, amiga.  O seu interesse não é impor sua vontade, a sua mente é aberta e ela é sensível a situação das pessoas.
Você nunca vai ver um sábio verdadeiro querer vencer um argumento, pois ele tenta sempre compreender o outro lado ou até mesmo aceitar o argumento do outro para não entrar em conflito. 
Cheia de misericórdia e bons frutos: a verdadeira sabedoria provém de um Deus misericordioso e, portanto faz daquele que a possui uma pessoa cheia de misericórdia.  A palavra grega aqui também pode ser traduzida como compaixão.  Ou seja, a sabedoria verdadeira traz compaixão por aqueles que sofrem, aqueles que Tiago menciona no cap. 2:15 (se um irmão ou irmã estiver necessitando de roupas e do alimento de cada dia). 
Essa compaixão é forte o suficiente para movê-lo a ações práticas produzindo bons frutos. 
Aqui entra um aviso àqueles que não são e/ou não querem ser misericordiosos.  Tiago 2:12, 13 “Falem e ajam como quem vai ser julgado pela lei da liberdade; porque será exercido juízo sem misericórdia sobre quem não foi misericordioso.”  
Aquele que não for misericordioso para com o próximo irá ser julgado sem misericórdia.  Aqui entra a lei “na medida em que julgardes serás julgado”, ou seja, se não fores misericordiosos não recebereis misericórdia. 
Quando oramos a oração do Pai Nosso dizemos: “Pai, perdoa as nossas dívidas assim como perdoamos a quem nos tem ofendido
Contudo, no versículo 14 e 15 do cap. 6 de Mateus diz: “Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós; se, porém, não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai perdoará vossas ofensas.
Ou seja, haverá ocasiões em que Deus agirá conosco na mesma medida em que agimos contra nosso próximo.
Mas a verdadeira sabedoria é misericordiosa e produz boas ações, bons frutos.
Imparcial: aqui vemos que a verdadeira sabedoria não toma partido.  Ela está do lado da verdade.  A verdadeira sabedoria é justa.
Sincera: aqui a palavra grega traduz literalmente como sem hipocrisia.  A sabedoria do alto não é hipócrita, mas sincera, genuína.
Em suma: A verdadeira sabedoria é na verdade tentar andar como Jesus andou, amando a Deus, fazendo o bem, amando e servindo o próximo, e santificando-se.
E por fim, Tiago reafirma a importância da paz e do pacificador para a sabedoria verdadeira.
3.2 Bençãos para quem pratica a verdadeira sabedoria (18) 
Tiago mais uma vez retorna a questão da paz.  Para Tiago, o sábio é aquele que não somente evidencia pureza, é pacífico, amável, compreensível, cheio de misericórdia e bons frutos, imparcial e é sincero, mas também semeia em paz boas obras para colher justiça. 
A nossa vida é uma vida de plantar e colher.  Colhemos aquilo que plantamos e se não plantarmos as sementes certas, não colheremos os frutos certos.
Aquele que plantar obediência à sabedoria de Deus colherá justiça. 
Em Mateus 5:9 diz, “Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus.

Oremos.

Sunday, June 13, 2010

Mensagem (13/06/2010)


Série: A FÉ QUE AGE
Sermão: Tiago 3:1-12
Pregador: Pr. Rodrigo Serrão

O Poder Devastador da Língua
Introdução

Até agora temos visto a ênfase de Tiago no aspecto prático da vida. Como a vida cristã deve ser vivida e como nosso modo de viver deve estar sincronizado com o nosso discurso. Este trecho que lemos não é diferente.
É interessante que a minha primeira reação ao ler esta passagem foi: “Tiago, não use sua experiência para fazer doutrina. Não é porque você teve uma língua indomável que todos têm.”
Mas depois, eu comecei a pensar melhor no que ele estava falando e comparar com as minhas próprias experiências (quantas vezes eu usei a língua para humilhar e zombar de pessoas), com o que eu via em outras pessoas no dia-a-dia (pessoas amaldiçoando umas as outras sem medir as conseqüências do que diziam), com o que eu lia na história da igreja (principalmente nas divisões das igrejas e na queda de grandes homens de Deus), e principalmente com o que a Bíblia diz sobre a língua em muitas passagens (por exemplo: Salmos 12:3-4 “Corte o Senhor todos os lábios lisonjeiros e a língua que fala soberbamente, os que dizem: Com a nossa língua prevaleceremos; os nossos lábios a nós nos pertecem; quem sobre nós é senhor?”
ou Provérbios 10:31 “A boca do justo produz sabedoria; porém a língua perversa será desarraigada.”
o profeta Jeremias cap. 9:8 “uma flecha mortífera é a língua deles; fala engano; com a sua boca fala cada um de paz com o seu próximo, mas no coração arma-lhe ciladas). Somente para citar algumas passagens.

Daí eu percebi que o problema não era isolado, mas geral. Não era um problema de Tiago e das pessoas de seu tempo apenas, mas um problema da humanidade caída e depravada em seus próprios pecados.
O problema da língua é algo sério e deve ser visto e tratado como tal.
Pois:
Se a língua não for domada pode causar a destruição daquele que fala como também a destruição daquele que ouve.
A língua é algo perigoso se não for usado corretamente.
Tiago está aqui nos alertando para que não caiamos neste erro tão grave, porém, tão comum de achar que fazer uso indevido da língua não terá conseqüências em forma de juízo divino.
Jesus diz em Mateus 12:36 “Digo-vos, pois, que de toda palavra fútil que os homens disserem, hão de dar conta no dia do juízo.”
Tiago já havia tocado neste assunto no capítulo 1:26 que diz “Se alguém diz ser religioso e afinal não é capaz de travar a sua língua, engana-se a si mesmo; a sua religião não vale nada.” Agora contudo, ele vai mais a fundo neste assunto.
Infelizmente, o homem usa mais a sua língua para destruir do que para construir. Na verdade, a tendência natural do homem é a destruição. A edificação não é um processo natural, mas requer um esforço quase sobrenatural de nossa parte.
Não é a toa que Paulo falando aos Efésios diz, “Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que seja boa para a necessária edificação, a fim de que ministre graça aos que a ouvem.” Ou seja, se você não vai edificar com palavras, então se cale!
E aos Colossenses, “mas agora despojai-vos também de tudo isto: da ira, da cólera, da malícia, da maledicência, das palavras torpes da vossa boca.”

Paulo conhecia bem de perto os poderes satânicos da língua, principalmente por ele ter sido alvo constante de caluniadores e difamadores do seu ministério.

Só quem já foi alvo dos malefícios que uma língua venenosa pode causar é que entende a importância no controle da língua para os relacionamentos interpessoais.

Cada um de nós tem dentro de nossas bocas o poder de edificar, levantar, construir, abençoar as pessoas. Ao mesmo tempo em que podemos destruir, insultar, difamar, amaldiçoar pessoas.
Provérbios 18:21, diz: “A morte e a vida estão no poder da língua...”

Qual das duas opções você tem escolhido?

Se você escolher a morte, Tiago vai mostrar que a língua pode não apenas matar o outro, mas também você. Ou seja, a língua destrói não somente quem é atingido por palavras torpes, mas também quem as profere.

E como o texto nos mostra esta verdade. De duas formas
1. Destruição de si mesmo através da auto-exaltação pela língua (vs 1-6)
2. Destruição de tudo mais através do descontrole da língua (vs 7-8)


O texto também vai mostrar o poder destrutivo da língua.
Você já viu um lança-chamas?
O lança-chamas é uma arma relativamente pequena para o potencial destrutivo que tem. Outra imagem que me vem a cabeça acerca do poder destruidor da língua é a da pirofagia. Alguém bebe um líquido inflamável e depois cospe no fogo, causando um efeito de um mini lança-chamas.

Agora a Bíblia é muito mais realista com relação ao poder da língua. Pegue essas duas imagens que eu acabei de falar e as descartem. A Bíblia vai dar a imagem verdadeira do poder da língua. Preparados?
Uma faísca. Como é que é? Isso mesmo pegue uma piola de cigarro e jogue em uma floresta seca, vá para casa e no outro dia ligue a TV no canal de notícia e aguarde o estrago.
O lança-chamas pressupõe alguém muito raivoso, a pirofagia pressupõe alguém muito irado, a piola de cigarro pressupõe inspiração do inferno.
E como o homem se mata através do uso indevido da língua?
Vejamos:

1. Destruição através da auto-exaltação pela língua (vs 1-6)
Tiago primeiro vai entrar no assunto dos mestres e da maior rigidez que estes vão receber em seus julgamentos. Não que Tiago esteja desencorajando o ofício de mestre, mas apenas mostrando que ser mestre não é para quem quer (apenas por status), mas para quem é chamado.
Efésios 4:11-12 diz: “E ele deu uns como apóstolos, e outros como profetas, e outros como evangelistas, e outros como pastores e mestres, tendo em vista o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo;”

O dom de mestre está ligado à edificação do corpo de Cristo.
Os Judeus da época de Tiago tinham o Rabi ou Mestre como uma das figuras mais importantes da sociedade.
A igreja primitiva grandemente influenciada pelo judaísmo também via o oficio de mestre como muito importante.
Tudo isso fazia com que aqueles que não tinham o chamado para serem mestres buscassem esse caminho para serem mais valorizados na sociedade em geral.
Contudo, isso se tornou um problema, uma vez que falsos mestres se multiplicavam durante o primeiro século da igreja.
Não é a toa que pelo menos 3 das 7 igrejas citadas no livro de apocalipse são mencionadas por terem problemas nesta área de falso mestre e falso ensino. Pedro, João e Paulo também tiveram problemas com falsos mestres.

Tiago mostra que ser mestre antes de ser um privilégio, era uma grande responsabilidade. Aqueles que eram mestres e ele incluso iriam receber um julgamento mais rigoroso. Ao que mais é dado, mais é cobrado.
Estes falsos mestres ao fazer uso da língua indevidamente, ao invés de construir, edificar, levavam a comunidade para o caminho das heresias.
O apostolo Paulo escreveu praticamente uma carta inteira para corrigir os efeitos negativos dos falsos ensinos dos falsos mestres que foi a epístola aos Gálatas.

E o que tem a ver falsos mestres com freios em bocas de cavalo ou lemes de navios?
Aqui, Tiago está fazendo uma correlação entre coisas aparentemente pequenas, mas de grande poder sobre coisas maiores.
• Ou seja, um freio pequeno controla e dá direção a um grande cavalo
• Um leme pequeno controla e dá direção a um grande navio
• Um mestre ainda que sozinho, pode controlar e dar direção a um grande número de pessoas.
• E uma língua ainda que o menor de todos os órgãos pode direcionar o caminho do mestre.

O mestre que não é chamado para ser mestre receberá o mesmo julgamento dos mestres verdadeiros porque ele está se passando por quem não é. Ele está se gabando de uma coisa que ele não é.

• Você está se gabando de algo que você não é?
• A sua língua tem falado coisas que não são verdadeiras ao seu respeito?
• Você tem se auto-exaltado e com isso trazendo condenação sobre sua vida?
• Eu conheço um rapaz chamado Fábio, sobrenome mentirinha. Daí você já tira como ele se relaciona com as pessoas. Fábio mentirinha usa pouco de sua língua para atingir as pessoas. Contudo, Fábio não consegue ficar sem se gabar daquilo que ele não tem e daquilo que ele não é. Ele mente com relação a tudo. Sua língua é inflamada pelo inferno sim, contudo, ele apenas está amontoando juízo sobre a vida dele dizendo e querendo ser quem ele não é.
• Você tem sido um Fábio mentirinha?
• Em suas conversas com amigos, com colegas de trabalho, você tem falado, agido, sido um Fábio mentirinha?

Mas a língua não trás apenas condenação e destruição para quem fala.
Ela é mais mortal ainda quando usada contra o próximo.

2. Destruição de tudo mais através do descontrole da língua (vs 7-8)
Quantas vezes nos pegamos falando… ”Esse é um débil mental” ou “aquele é um condenado”… for a os palavrões usados quando estamos com raiva de alguém ou no trânsito.
Tanto na presença da pessoa quanto na ausência, matamos o próximo quando usamos palavras torpes contra ele ou ela.
Jesus em Mateus 5:21-22, “Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; e, Quem matar será réu de juízo. Eu, porém, vos digo que todo aquele que se encolerizar contra seu irmão, será réu de juízo; e quem disser a seu irmão: Raca, será réu diante do sinédrio; e quem lhe disser: Louco, será réu do fogo do inferno.”

Raca é um termo aramaico de desprezo que significa “sem valor” ou “tolo”

• Quantas vezes, sem mesmo notar trazemos condenação sobre nossas vidas pelo que falamos para as pessoas.
• Quantas vezes esvaziamos as pessoas, tiramos suas dignidades, enfiamos uma faca em seus corações por aquilo que falamos e conseqüentemente trazemos juízo sobre nossas vidas.
• Quantas vezes insultamos o próprio Deus, quando insultamos o nosso próximo. Nos dias de Tiago o imperador fez uma estátua sua na cidade. Se alguém insultasse ou amaldiçoasse a estátua, estes eram tratados como se eles tivessem amaldiçoando o próprio imperador face-a-face, pois a estátua era a imagem do imperador. Portanto, o insulto a uma pessoa, feita à imagem de Deus, é como se estivéssemos insultando o próprio Deus.

Infelizmente, não nos damos conta de como facilmente somos usados pelo inferno. Contudo, nada escapa aos olhos de Jesus.
Deus usando Paulo disse que é melhor ficar calado do que abrir a boca para maldizer alguém, pois assim, não destruímos o nosso próximo e nem trazemos condenação sobre nossas vidas.

Então se lembre que a língua tem tanto o poder de destruir aquele que fala quanto aquele a quem falamos.

O texto ainda nos mostra uma terceira característica da língua. A língua ainda que uma peçonha mortal, ela pode ter momentos de submissão a Deus.

Todos nós temos momentos de alegria e tristeza, de saúde e de doença, de altos e baixos. A língua também tem esses momentos de mudança completa de suas características. A língua também (ainda que por breves momentos) adora a Deus.

Contudo, o problema aqui é apenas o reflexo do homem de mente dividida e instável do capítulo 1. Tiago diz que o homem não pode ser assim. Não podemos achar que Deus recebe adoração verdadeira de uma língua mentirosa. Como eu já disse, quando insultamos ao próximo, é a Deus a quem insultamos.

Tiago termina esta parte de sua carta fazendo duas ilustrações. A primeira da fonte que jorra água doce e água amarga. Assim é aquele que profere bênçãos a Deus e maldições aos homens.
A segunda ilustração vai mostrar que isto é impossível, assim como é impossível uma figueira produzir uvas e uma videira figos. Ou um jambeiro produzir laranja e uma laranjeira produzir jambo.
Ou seja, assim como a natureza das plantas não pode ser mudadas, também a natureza regenerada não pode agir como se não fosse regenerada.

Tiago diz, “Meus irmãos, não pode ser assim!”
Isto quer dizer que há esperança para cada um de nós. Se a nossa língua tem servido para nos vangloriar ou se tem servido para destruir o próximo, Tiago diz, “meus irmãos, não pode ser assim!”

Aqui quero finalizar com alguns conselhos práticos para que não deixemos nossa língua controlar nossas vidas e que possamos ser uma fonte de benção para nosso próximo.

1. Peça a Deus para te ajudar – Ele disse que sem Ele nada podemos fazer, e que com Ele todas as coisas são possíveis.
2. Leia o livro de Provérbios e Tiago – Provérbios têm 31 capítulos o que dá um ao dia. Muita coisa em Provérbios é relacionada à língua. Leia Provérbios e Tiago juntos, vai ser uma overdose de sabedoria pratica importantíssimo para a nossa transformação.
3. Pense primeiro – nunca reaja antes de pensar bem o que vai falar. Se pensarmos um mínimo de 10 segundos antes de abrirmos a boca, muita coisa que não queremos dizer não vamos dizer mesmo. Se após um tempo percebermos que o que vamos dizer não vai edificar, é melhor nos calarmos.
4. Fale menos – a probabilidade de errarmos vai diminuir consideravelmente. Abraão Lincoln dizia, “É melhor ficar calado e deixar que as pessoas pensem que você é um tolo, do que abrir a boca e confirmar dúvida deles”
5. Edifique as pessoas – a Bíblia nos manda encorajar uns aos outros. Devemos ser agentes de paz, amor, edificação mútua. Faça um pacto com você mesmo de todos os dias levar palavras positivas para as pessoas. Comece dentro de casa.

Vamos terminar todos lendo Salmos 19:14 – “Que as palavras de minha boca e a meditação do meu coração sejam agradáveis a ti, SENHOR, minha Rocha e meu Resgatador.”

Sunday, May 02, 2010

Mensagem (02/05/10)

Série: A FÉ QUE AGE
Sermão: Tiago 1:13-18
Pregador: Pr. Rodrigo Serrão

Entendendo a Tentação

Vimos na semana passada que Deus envia tribulação para Seus filhos porque nos ama. Pode até soar estranho, mas a Bíblia é clara quando diz que Deus corrige a aquele a quem ama.
Deus envia a tribulação visando o resultado que a tribulação acarreta na vida daquele que crer. Portanto, podemos dizer que Deus nos testa, ou seja, nos prova a fim de que sejamos aprovados e nos tornemos crentes maduros e íntegros.

Neste texto que lemos, Tiago irá abordar o outro lado da tribulação. Um lado que não tem nada a ver com Deus. É um lado que não provém de Deus e por não provir de Deus não nos faz pessoas melhores, nem maduras, e nem íntegras.

Tiago agora entra no mundo da tentação. Ele entra no mundo do caminho que leva à iniqüidade.
O dicionário define tentação como “O estado de ser tentado especialmente para o mal”
Ou seja, nada proveniente da tentação é bom ou edifica. Não existe na tentação um caminho que leva à maturidade, mas apenas à escravidão e ao pecado.
Outra definição de tentação pode ser a oportunidade de fazer algo bom, mas de maneira errada, fora da vontade de Deus.
Por exemplo: Não é errado você querer passar por uma prova ou teste, contudo, se você colar ou filar para passar na prova, você pecou. A tentação de colar é uma oportunidade de se conseguir algo bom, mas de uma maneira errada.
Outro exemplo: não é errado comer, mas se você considerar roubar a sua comida, você já está entrando em um processo de tentação.
Todo este processo de tentação não vem de Deus porque Deus é muito santo para ser tentado e também porque Ele é muito bom para querer isso para Seus filhos (v.13b)
Contudo, a tentação não é um processo único. Quando olhamos para o Jardim do Éden no evento da tentação de Eva, até pensamos que tudo ocorreu de uma vez só. Tiago, porém, vai detalhar todo o processo pelo qual o ser humano passa quando está sendo tentado.
Vejamos então os quatro estágios da tentação

1. Desejo (v.14a)

Desejo é algo natural a todos os seres humanos. Desejos normais da vida são dados por Deus para a nossa própria sobrevivência.
• Precisamos ter o desejo de comer para que nossos corpos sejam nutridos;
• Precisamos ter o desejo de beber água e outros líquidos para hidratarmos nossos corpos;
• Precisamos ter o desejo sexual para perpetuarmos a vida neste planeta;
• Precisamos ter o desejo do descanso para repousarmos e renovarmos nossa força.

O problema é quando queremos satisfazer estes desejos de forma que desagrada a Deus. Quando isto acontece, então damos o primeiro passo em direção ao pecado e conseqüentemente à morte.
Assim:
• Comer torna-se glutonaria;
• Beber torna-se bebedeira;
• Sexo torna-se prostituição;
• Descanso torna-se preguiça.

O desejo quando sai do controle leva o indivíduo à perdição, ao pecado, à morte.
Portanto, o desejo não pode controlar o indivíduo, mas o indivíduo é que deve controlar o desejo.

Santo Agostinho diz em seu livro “As Confissões de Santo Agostinho” – “O pecado vem quando pegamos uma vontade perfeitamente natural ou um anseio ou uma ambição e tentamos desesperadamente satisfazê-la sem Deus. Isto não é somente pecado, mas é também uma distorção perversa da imagem do Criador em nós. Todas essas coisas boas, e toda a nossa segurança, só são totalmente encontradas e satisfeitas nEle.”

O que Agostinho está dizendo é que se os desejos saírem de nosso controle, não há nada que façamos para tentar saciá-los que de fato traga satisfação duradoura. Ou seja, quanto mais damos lugar aos maus desejos em nossas vidas, mais eles crescem e nos consomem. É o mesmo processo que acomete um viciado em drogas. Você nunca está satisfeito e sempre precisará de maiores quantidades para chegar ao mesmo nível de prazer.
Somente Deus pode satisfazer o ser humano por completo. Sem deixar nada a desejar.

Quem busca satisfazer os desejos fora da vontade de Deus entrará em um ciclo que se inicia com o desejo, mas que termina com a morte.

Mas no processo da tentação o desejo é apenas o primeiro passo de um caminho que leva à destruição. O segundo passo é a sedução.

2. Sedução(v.14b)

Duas palavras chaves nesta parte do texto nos revelam como funciona o mecanismo da tentação.
a. Seduzido
b. Arrastado

Tiago usa a terminologia de um pescador ou caçador. O bom caçador não vai à caça sem uma isca. A isca serve para seduzir a preza. Uma vez seduzida, a preza cai na armadilha do caçador e é arrastada para o abate.

Pesca
Pense em um pescador. O pescador não vai à pesca sem uma isca no anzol. O peixe não percebe o anzol que está escondido dentro da isca. O peixe é seduzido pela facilidade do alimento. O peixe então motivado pelo desejo de comer e abocanha a isca e é pego pelo anzol. Depois o pescador literalmente puxa (arrasta) o peixe para fora da água. Não importa quanto o peixe resista, não importa quanto o peixe se jogue fora do mar e pule de um lado para o outro. A probabilidade quase sempre vai estar do lado do pescador.

Caça
Agora imagine esta cena. O caçador está à espreita de um animal selvagem. Ele se camufla para ficar imperceptível à caça. O caçador já preparou a isca e a armadilha para capturar a presa. Ele coloca a comida preferida do animal a ser caçado e se afasta do local, ficando de longe a espreitar. O animal, seduzido pelo que lhe atrai se aproxima da isca armada contra ele. Não percebe o animal que acima dele tem uma arapuca presa por uma frágil corda. O animal caminha em direção a satisfazer o seu desejo e de repente, quando ele menos imagina, está preso por uma jaula. Ali dentro daquela jaula, agora cativo e refém do caçador, o animal é morto e literalmente arrastado até o carro do caçador que levará a cabeça do animal como troféu.

Sem a isca, nem o pescador e nem o caçador capturaram suas presas. É a isca que enche os olhos da presa. A isca é atraente, mas leva a presa aos braços da morte.

Contudo, é importante notar que a isca não revela as conseqüências desastrosas que estão por trás dela. Ninguém que é seduzido e arrastado pela isca da tentação está consciente da destruição e tragédia que a isca vai trazer a si.

Se David soubesse das conseqüências que viriam sobre ele e sua família, ele não teria olhado para a esposa do seu vizinho e cometido adultério com ela.

A isca nos cega o entendimento e não nos deixa ver as conseqüências do pecado.
Portanto, FUJA DA ISCA!

E como somos seduzidos e arrastados pelos nossos desejos?
a. Por sermos todos seres caídos, mesmo salvos, porém em processo de santificação.
b. Pela luta existente entre a nossa nova natureza e a carne. (Gal. 5:17)
c. Pelas armadilhas do diabo que é o grande tentador das nossas vidas, que procura nossos pontos fracos para nos apresentar a isca.
d. Por não nos dedicarmos à nossa vida devocional e de comunhão com Deus. Isto acarreta em fraqueza espiritual, em exacerbação da natureza carnal e numa maior facilidade para darmos lugar à carne.

Em termos práticos, devemos fugir de tudo aquilo que nos seduz e nos leva a pecar.
Os top 3 são: Sexo, Dinheiro e Poder.
Por isso:
Se o problema é na área sexual – a isca será tudo ligado à pornografia e sexo ilícito (incluindo adultério, homossexualismo, lesbianismo, bestialismo, etc.)

Se o problema é no amor ao dinheiro – a isca será cargos dentro e fora da igreja que leva ao manuseamento de dinheiro. Será o apelo materialista e consumista. Haverá frustração porque não se consegue todas as coisas que são apresentadas induzindo o indivíduo ao roubo ou a qualquer outra maneira ilícita de ganhar dinheiro.
Esta tática é muito usada pela Igreja Universal e outras similares que buscam atrair pessoas através de iscas que estimulam a ganância e a cobiça dos homens.

Se o seu problema é poder – a isca será cargos ou posições, tanto na igreja quanto no trabalho. Talvez existam problemas nos relacionamentos com pessoas de menos autoridade. Talvez o indivíduo tenha problemas em demonstrar humildade como também dificuldade em ser ensinado. Portanto, tudo que tem a ver com relacionamentos em escala profissional e pessoal pode ser uma isca para atrair aqueles que têm fraqueza na área de poder.

E a lista continua, com drogas ilícitas, álcool, cigarro, mentira, FOFOCA, etc.

Porém, a tentação não fica apenas no desejo e na sedução. O próximo estágio é um dos que mais nos afasta de Deus. É o ato propriamente dito. É quando tudo que já foi gerado dentro é posto para fora.
Chegamos ao estágio da:

3. Desobediência(v.15a)

Aqui Tiago sai da imagem do caçador e da isca para a do nascimento de um bebê. É aqui que “chutamos o pau-da-barraca” e de fato colocamos para fora toda a gestação da tentação que estava dentro de nós.

Aqui entramos no estágio da vontade. A vontade aprova aquilo estava sendo gerado dentro de nós e agimos em relação a ela concretizando assim o pecado. O pecado nesta ilustração de Tiago é o próprio bebê que geramos e que ao amadurecer nos levará a morte.

Sabemos que a vontade de Deus é santa, perfeita, e agradável. Mas a nossa vontade não é. Por isso, o crente não pode viver segundo suas vontades, mas segundo a sua fé. Quando damos muito lugar a nossa vontade, nos afastamos completamente da vontade de Deus que tem que ser a única vontade que direciona nossas vidas.

A desobediência é uma característica dos homens do fim dos tempos de acordo com 2 Timóteo 3:2 “pois os homens serão amantes de si mesmos, gananciosos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a seus pais, ingratos, ímpios”
A desobediência, portanto é a prática da sedução e dos desejos gerados dentro de nós pela nossa natureza caída incitada pelas armadilhas do diabo.

Perceba que a desobediência é o ato daquilo que já vem sendo gerado dentro de nós.
Portanto tenha muito cuidado com seus pensamentos. Aquilo que você pensa eventualmente irá se manifestar em ações práticas se você não cortá-lo pela raiz.

Paulo nos dá o remédio que precisamos para vencer a desobediência.
Paulo diz: “Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai” (Fil 4:8)

Paulo também diz, em Gálatas 5:16: “Andai pelo Espírito, e não haveis de cumprir a cobiça da carne”

• Você tem desobedecido a Deus?
• O que você tem feito para vencer a desobediência e se tornar um filho obediente ao Pai?

Após a desobediência, Tiago chega ao último estágio da tentação. Na verdade, usando a mesma ilustração anterior, Tiago diz que quando a desobediência amadurece, ela gera a morte.

4. Morte(v.15b)

Este é o estágio final da tentação. Para aqueles sem Cristo, este versículo se cumpre em sua totalidade, para aqueles em Cristo ele se cumpre de forma espiritual.

Romanos 5 nos dá uma idéia melhor sobre este assunto.
“Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram. Porque antes da lei já estava o pecado no mundo, mas onde não há lei o pecado não é levado em conta. No entanto a morte reinou desde Adão até Moisés, mesmo sobre aqueles que não pecaram ã semelhança da transgressão de Adão o qual é figura daquele que havia de vir.
Mas não é assim o dom gratuito como a ofensa; porque, se pela ofensa de um morreram muitos, muito mais a graça de Deus, e o dom pela graça de um só homem, Jesus Cristo, abundou para muitos. Também não é assim o dom como a ofensa, que veio por um só que pecou; porque o juízo veio, na verdade, de uma só ofensa para condenação, mas o dom gratuito veio de muitas ofensas para justificação. Porque, se pela ofensa de um só, a morte veio a reinar por esse, muito mais os que recebem a abundância da graça, e do dom da justiça, reinarão em vida por um só, Jesus Cristo.
Portanto, assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação e vida. Porque, assim como pela desobediência de um só homem muitos foram constituídos pecadores, assim também pela obediência de um, muitos serão constituídos justos.
Sobreveio, porém, a lei para que a ofensa abundasse; mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça; para que, assim como o pecado veio a reinar na morte, assim também viesse a reinar a graça pela justiça para a vida eterna, por Jesus Cristo nosso Senhor” (Rom 5:12-21)

Portanto, de acordo com este texto de Paulo, aqueles que estão em Cristo já estão justificados. Aqueles, porém sem Cristo estão mortos em seus pecados.

E a pergunta aqui então não é se perdemos ou não a salvação quando o pecado gera a morte, mas se somos ou não salvos.

Em Cristo, porém, a morte não pode mais nos atingir. Não que sejamos perfeitos, mas que a graça de Jesus nos cobre e o sangue de Jesus nos justifica.
Ela, digo a morte é que está com seus dias contados. Pois chegará o dia em que a morte perderá seu poder e todos os salvos serão ressuscitados.
1 Cor 15 a partir do versículo 54 nos dá uma melhor idéia disto:
“Mas, quando isto que é corruptível se revestir da incorruptibilidade, e isto que é mortal se revestir da imortalidade, então se cumprirá a palavra que está escrito: Tragada foi a morte na vitória. Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão? O aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei. Mas graça a Deus que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo.
Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor.”

Paulo diz em Romanos 6:23, “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor.”

Contudo, mesmo que a morte física não alcance aqueles que são salvos, não podemos negar o poder devastador de morte onde quer que pecado seja praticado.

O pecado mata:
• Casamento
• Vida espiritual
• Amizade
• Saúde
• Consciência
• Paz
• Vida abundante
• A todos com morte física (como herança de Adão)
• E apenas os perdidos (chamado de segunda morte, por não crerem em Jesus)

Conclusão

O texto termina com Tiago tirando a atenção dos leitores do pecador e colocando novamente em Deus, mas especificamente na bondade de Deus (v.16-18).
Tiago quer aqui mostrar aos seus leitores que quando fitamos nossos olhos em Deus e percebemos como Deus é bom, nós nos protegemos da tentação e do tentador que tão de perto nos rodeia.
Você tem olhado para Deus como uma barreira que protege contra a tentação?
Deus é a melhor experiência que possa existir neste mundo para você?
Oremos!

Sunday, April 25, 2010

Mensagem (25/04/10)

Série: A FÉ QUE AGE
Sermão: Tiago 1:1-12
Pr. Rodrigo Serrão

Os Benefícios da Tribulação

Introdução

Estamos diante de uma das mais duras cartas do Novo Testamento. Ela foi escrita pelo meio-irmão de Jesus Tiago aos Judeus-Cristãos da diáspora, ou seja, fora da Palestina. Esta carta, por ser endereçada a estas pessoas soa bastante como Velho Testamento. Há muitos paralelos com Levíticos, Provérbios, e Sabedoria.
A maior preocupação de Tiago é levar ao entendimento das pessoas que fé não é estática, mas dinâmica. Uma vez que você crer para a salvação (teologicamente fé salvífica), agora a fé age.
• A fé não apenas sabe das injustiças na terra, mas ela age contra elas
• A fé não somente sabe do plano de Jesus para a humanidade, ela age para levar este plano a cabo.
• A fé não somente sabe que devemos amar a Deus, o próximo, e os inimigos, mas ela de fato age proativamente em amor.

A ênfase nesta fé que é prática levou alguns Reformadores a desconsiderar a importância deste importante documento. O maior exemplo é o de Martinho Lutero, que achava que esta carta contradizia o ensino de Paulo acerca da fé. Contudo, um estudo mais aprofundado da carta vai mostrar como Lutero estava errado e como Tiago e Paulo estão falando de momentos diferentes da MESMA FÉ.
Contudo, este caminho da “fé que age” começa com Deus trazendo tribulações e lutas na vida do cristão. E porque Deus faz isso com aqueles pelo qual Ele morreu?

1. A tribulação nos leva ao caminho da maturidade cristã (teste da fé genuína) (v.2-4)

Tiago inicia sua carta falando de cara sobre um assunto que para muitos gera desconforto. Ele fala sobre sofrimento e tribulação. Claro que Tiago não fala deste assunto por que ele é um masoquista ou por ser alguém que se deleita no sofrimento pessoal e do próximo. Tiago fala não da tribulação em si, mas do processo interior de crescimento pessoal que a tribulação causa no ser humano.
Paulo também fala desses benefícios em sua carta aos Romanos cap. 5:2b-5 “...e gloriemo-nos na esperança da glória de Deus. E não somente isso, mas também gloriemo-nos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a perseverança, e a perseverança a experiência, e a experiência a esperança; e a esperança não desaponta, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.”

Existe um processo para o amadurecimento do cristão e a tribulação faz parte deste processo, e mais, a tribulação é o primeiro passo deste processo. É por isso que Tiago nos manda ter alegria na tribulação e Paulo nos manda gloriar nela, pois, caso contrário, iremos sucumbir em nossas próprias indagações (os tantos porquês que perguntamos) e não alcançaremos o propósito divino ao passarmos por lutas.
A questão do teste divino da fé não era novidade para os judeus. Na verdade existe uma tradição na historia de Israel acerca da provação da fé daqueles que andavam com Deus. Abraão é o maior exemplo de sucesso. Ele teve sua fé provada e aprovada várias vezes em sua jornada, desde a sua saída de Ur dos Caldeus (pela fé) até a ordem de Deus para sacrificar o filho da promessa, Isaque. Em todas essas provações Abraão foi obediente e confiante no que Deus poderia fazer para reverter qualquer situação adversa.
O povo no deserto é o maior exemplo de fracasso. Várias vezes provados no deserto, o povo como um todo (salvo algumas exceções) falharam em permanecer firmes diante das tribulações que Deus enviava. Eles não conseguiam contemplar o propósito de Deus em tudo que eles estavam passando. Eles não perseveraram em suas tribulações, ou seja, o caminho do crescimento deles não se completou. Eles falharam e não foram recompensados por não confiarem em Deus em meio às tribulações.
Agora a minha pergunta é:
• Como você tem encarado a tribulação que Deus envia para a sua vida? Deus manda encarar não com desapontamento ou tristeza, mas com alegria.
• Você tem confiado em Deus ao ponto da tribulação se tornar em perseverança e a perseverança moldar o seu caráter te tornando um cristão maduro?
O resultado da perseverança em meio à tribulação tem duplo benefício na vida do cristão.

a. Maturidade
b. Integridade (completude)

Você já percebeu como vivemos em um tempo de bebês espirituais? Nossas igrejas estão tão cheias de crentes imaturos. Estas pessoas não têm foco, nem direcionam suas vidas para Jesus. Elas rejeitam o sofrimento e as tribulações por não trazerem benefícios materiais, ou até por acreditarem nas heresias de teologias neo-pentecostais onde se prega uma vida livre de tribulações. Elas não crescem espiritualmente, não servem à causa do evangelho, não dão bom testemunho, e tem seus ventres como o seu deus.

E nós? Como somos e como encaramos as tribulações da vida?

Tiago, porém, sabia que as igrejas espalhadas fora da Palestina não seriam formadas apenas por crentes maduros e íntegros. Por isso, Tiago instrui a igreja a buscar o elemento necessário para se passe pelas provações de forma que agrade a Deus e nos faça crescer. Tiago nos apresenta a sabedoria como o dom que precisamos para vencer a tribulação.

2. A tribulação nos estimula a orar por sabedoria e a sabedoria nos dá a perspectiva correta do caminho cristão (o dom da fé genuína) (v. 5-8)

Não pense que você pode viver sua vida livre da sabedoria que Deus quer dar a todos para vencer as lutas. Não precisamos vencer a tribulação por conta própria. Deus já providenciou tudo que precisamos para vencê-las.
Abra sua Bíblia em Colossenses 1:9-11 – “Por esta razão, nós também, desde o dia em que ouvimos, não cessamos de orar por vós, e de pedir que sejais cheios do pleno conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e entendimento espiritual; para que possais andar de maneira digna do Senhor, agradando-lhe em tudo, frutificando em toda boa obra, e crescendo no conhecimento de Deus, corroborados com toda a fortaleza, segundo o poder da sua glória, para toda a perseverança e longanimidade com gozo”
Neste texto que lemos, Paulo assim que soube da fé dos Colossenses, de seu amor pelo Evangelho, começou a orar por eles sem cessar para que Deus enviasse a sabedoria que eles iriam necessitar para caminhar no caminho da fé. Para que eles andassem por fé e não por vista. Paulo sabia da importância da sabedoria no desenrolar da vida cristã.
Outro que entendeu a importância da sabedoria para vencer as tribulações da vida foi Salomão. Em sonho Deus apareceu a Salomão quando ele havia acabado de virar rei de Israel. Salomão neste momento de sua vida estava sofrendo pelo tamanho da responsabilidade de liderar uma nação. Em sua luta e preocupação, a única coisa que ele pensava era em se revestir de Deus para vencer este obstáculo. Neste sonho, Deus perguntou o que Salomão queria receber dEle. Salomão responde em 1 Reis 3:9 - “Dá-me então sabedoria para que possa governar bem o teu povo e saiba a diferença entre o que é justo e o que é errado...”
Agora, a sabedoria que Tiago fala, deve ser pedida a Deus com fé e sem duvidar de que Deus pode derramar sabedoria sobre aquela vida que está pedindo. Assim como Salomão pediu sabedoria com fé e recebeu, também nós que precisamos dela, devemos pedir com fé diante de Deus.
Quem em sã consciência, vivendo em um mundo louco como este, pode dizer que não precisa de sabedoria para viver em paz consigo mesmo, com o próximo e com Deus.
Aquele que duvida, Tiago diz que é como a onda do mar lançado de um lado para o outro pelo vento.
Eu surfo desde os 13 anos e sempre gostei de observar as ondas do mar. É interessante notar que as ondas são uma das coisas observáveis mais inconstantes do planeta. Dificilmente você consegue presenciar uma semana inteira de ondas constantes. As variações não apenas ocorrem de um dia para o outro, mas também dentro do mesmo dia. É a este tipo de fenômeno que Deus compara aqueles que pedem sabedoria, mas o fazem sem fé. Ele compara a ondas inconstantes.
Pessoas assim não receberão sabedoria e nem coisa alguma de Deus. Essas palavras de Tiago soam até duras de ouvir, mas em Hebreus diz que sem fé é impossível agradar a Deus.

Contudo, uma vez usado a fé para pedir sabedoria a Deus, Ele nos a dá, pois Deus é generoso e quer nos abençoar.

O resultado desta sabedoria na vida do crente que pede com fé é uma vida madura e completa diante de Deus. De acordo com Paulo em Efésios 4:14 “Então não seremos mais como crianças instáveis, variando com facilidade de idéias e de sentimentos, influenciados pelos ventos de doutrinas várias que nos empurram ora para um lado ora para o outro, ao sabor de pessoas sem escrúpulos que astuciosamente procuram arrastar as almas para o erro.”

• Como você tem se aproximado de Deus?
• Como está seu coração diante de Deus?
• Você duvida que Deus pode te ajudar em tuas lutas?
• Você está mais para um crente inconstante que é levado para todo lado e que é controlado pelas suas próprias emoções, ou você tem buscado ser um crente maduro que tem fé em Deus e busca entender Seus propósitos para tua vida?

Mas não somente a tribulação nos faz crescer como cristão e nos faz buscar a sabedoria para vencê-la, como também nos iguala como seres humanos.

3. A tribulação lembra ao pobre cristão da glória futura e ao rico de sua possível condenação (valores de uma fé genuína) (v.9-11)

É importante antes de tudo entendermos que não há justiça inerente a uma pessoa devido a sua condição social. Não posso me referir ao pobre como justo ou como humilde apenas por ele ser pobre e o mesmo não posso considerar o rico orgulhoso e injusto apenas por ser rico. A tendência, contudo, nos mostra que a condição social leva sim as pessoas a comportamentos de humildade quando se é pobre e de orgulho quando se é rico. Mas isso não é uma lei. Vemos exemplos de pobres justos e injustos e de ricos justos e injustos na Bíblia.
Um exemplo de pobre justo na Bíblia é o próprio Senhor Jesus Cristo que mesmo sendo pobre sabia dividir tudo o que tinha. Mesmo sendo pobre não era considerado preguiçoso nem vagabundo.
Um exemplo de rico justo é o de Abraão, que mesmo sendo muito rico para o seu tempo, tinha uma vida de serviço a Deus e de grande fé.
O problema aqui em Tiago era uma visão que havia entre os judeus que nos influencia até hoje. A de que o pobre é considerado piedoso e humilde e que o rico é injusto e opressor.
Essa visão vem da época dos Macabeus, quando durante a guerra, os pobres ajudaram a Judas Macabeus contra a aristocracia grega. Os ricos por sua vez eram inconstantes e só buscavam seus próprios interesses.
Contudo, olhar a questão pobre/rico apenas pelo âmbito econômico é ignorar o fator espiritual que deve comandar a visão sobre este assunto.
Por outro lado, eu não posso fechar meus olhos para as diversas passagens bíblicas onde mostra Deus nos mandando cuidar dos pobres e dos oprimidos.
Provérbios 19:17 diz “Quem dá aos pobres empresta a Deus, o qual virá a pagar com juros largamente vantajosos.”

Deuteronômio 15:7 diz “Se quando chegarem à terra que o Senhor vos dá houver pobres no vosso meio não lhes fechem o vosso coração nem a vossa mão, voltando-lhe as costas; deverão emprestar-lhes tanto quanto necessitarem.”
E mais na frente o próprio Tiago 2:5-6 vai dizer, “Ouçam, queridos irmãos: Deus tem escolhido gente pobre nesta Terra para serem ricos na fé, garantindo-lhes a entrada no domínio do céu, que Deus prometeu aos que o amam. Mas daquela maneira desonraram o pobre. E não são geralmente os ricos que vos oprimem, e que vos arrastam aos tribunais.”
Neste texto de Tiago 1, vemos que Ele está falando no contexto de tribulação, fé, sabedoria e tudo que temos falado aqui. Portanto, entendemos que Tiago está querendo mostrar que:

a. Pobreza pode ser constituída como um tipo de tribulação
b. Existe um paralelo entre humildade/riqueza e fé/dúvida.

Portanto, Tiago diz que os crentes pobres podem descansar em Deus ou orgulhar-se em Deus, pois eles serão exaltados. Eles são crentes e por isso justificados por Cristo. Eles não devem orgulhar-se apenas por serem pobres mais principalmente por serem crentes. E devem orgulhar-se desde já na futura exaltação que receberão. O pobre crente não deve ficar olhando para sua atual situação, mas olhar para o futuro e para o que Deus está reservando para eles.
Por outro lado, o rico deve orgulhar-se caso viva humildemente agora e não confie em sua riqueza, mas em Cristo. Porque se isto não acontecer, eles serão com a flor do campo que em um dia nasce e morre (o sol se levanta, traz o calor, seca a planta, cai a flor e a beleza é destruída).
Salomão que conheceu as armadilhas que a riqueza pode trazer diz em Provérbios 18.11, “O rico considera a sua riqueza como uma cidade inatacável, como uma muralha perfeitamente segura.”

Por isso, que os valores do Reino estão acima da situação econômica de cada um. Aquele que é pobre, precisa da justiça de Deus para que a partir daí, de forma humilde e cheia de fé contemple o futuro glorioso que os aguarda.
O rico, precisa da justiça de Deus, para não considerar suas riquezas um fim em si mesmo. Mas ao contrário, um meio para abençoar o Reino e as pessoas em geral. E agindo assim, encontre a fé para vencer as suas próprias lutas e tribulações pessoais que as riquezas podem trazer. Caso contrário, ele queimará como a flor do campo!

E por fim,

4. A tribulação resultará em glória para o aprovado (recompensa de uma fé genuína) (v.12)

A conclusão de Tiago é que quem persevera será recompensado. E para perseverar, como vimos no início, precisamos passar pela tribulação. A tribulação gera a perseverança e a perseverança trabalha em nós a maturidade e a integridade. Neste caso, quer sejamos pobres, quer sejamos ricos, carecemos da aprovação em meio à provação (tribulação).
Assim o ciclo se fecha.

Conclusão

Essa mensagem de Tiago é cada vez mais importante no mundo de hoje. O mundo prega apenas que Jesus quer nos abençoar e que ele quer nos dá vitória e nos constituir cabeça e não cauda. Digo o mundo, pois essa mensagem não vem do evangelho, mas sim do mundo!
Tiago nos diz que Deus nos ama e nos perdoa e quer nos fazer prosperar sim, mas que Deus também quer nos fazer crentes maduros e íntegros. Para crescermos como cristãos, contudo, existe um caminho que devemos trilhar e este caminho começa com sofrimento.
E é no meio do furacão que Jesus diz que não nos abandona. É no meio de nossas tribulações que aprendemos a confiar em Deus, e a buscar a sabedoria de Deus para vivermos melhor.
É durante a luta que Tiago nos lembra que a sabedoria vem através da oração e que a oração tem que ser verdadeira, corajosa, e autêntica. Ela tem que ser movida por fé, pois quem se aproxima de Deus precisa crer que Ele existe.
Tiago fala em um contexto bem particular aos judeus-cristãos que sofriam fora da Palestina, mas sua mensagem, ainda que dura para algumas pessoas é extremamente relevante para um mundo hedonista e que vive em busca apenas de prazeres pessoais e terrenos, de acumular riquezas materiais e de viver apenas na superfície do seu relacionamento com Deus.
Para nós igreja, ela é ainda mais relevante. Pois foi para nós que ela foi escrita.

• Somos nós que temos que olhar a tribulação com outros olhos.
• Somos nós que temos que olhar a oração e o relacionamento com Deus com outros olhos.
• Somos nós que temos que ver as injustiças e opressões feitas contra pobres e ver o materialismo e a vaidade que acomete os ricos com outros olhos.
• E a grande pergunta é, que olhos são estes?
• Os olhos da “fé que age”

Oremos!