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Monday, May 23, 2011

Deus nunca nos abandona - Gn 21:8-21

Eu não nasci em um lar cristão. Na verdade, por mais que eu quisesse ser uma pessoa boa, eu não queria saber de Deus. Eu tinha certo respeito por Deus (da minha forma é claro), eu tinha certo respeito pela igreja, mas no geral eu não estava nem aí para essas coisas.  Eu tinha uma vaga noção do que era pecado, a minha consciência me acusava um pouco (principalmente após uma noitada), mas nada tinha força suficiente para me fazer parar de viver este estilo de vida.  
A minha vida aparte de Cristo, por mais que não me levasse para o abandono completo de meus valores, eu tinha uma vida bastante mundana.  O grande problema para mim era a bebida e as festas nos finais-de-semana.  Até porque a minha família também não era Cristã e isto facilitava o meu acesso à bebida fora de casa e ao carro. 
Eu não consigo me lembrar do número de vezes que cheguei bêbado em casa sem saber nem como guardei o carro na garagem. Quando eu me acordava, eu já estava na minha cama em meu quarto. Eu procurava saber como eu havia chegado com quem eu havia estado após o álcool ter tomado conta da minha mente, mas eu não lembrava.  A primeira coisa que eu fazia era ir ver se o carro estava todo inteiro e depois se os meus documentos e dinheiro estavam comigo e por fim se eu tinha alguma marca ou machucado. 
Graças a Deus eu nunca tive grandes problemas.  Que eu me lembre, apenas uma vez que eu cheguei com o carro vomitado. Porém, eu me lembro de uma vez que eu estava dirigindo de volta para casa, creio que de alguma casa noturna de intermares, na BR sentido Bancários. Eu vinha com um amigo do meu lado, tão bêbado quanto eu, e naquele dia eu adormeci no volante bem na subida do viaduto do Forrock.  O carro começou a pender de uma faixa para a outra em direção ao muro que protege os carros.  Ao perceber que o carro estava saindo da faixa, meu amigo olha para mim e me vê dormindo.  Então ele me acorda e eu no susto consigo colocar o carro de volta no lugar.  Daí em diante, ele ficou gritando no meu ouvido para eu não dormir até a gente chegar nos Bancários. 
Naquela época eu não via que havia algo me protegendo, me livrando de toda sorte de acidente, mas hoje, eu vejo que Deus estava comigo mesmo sem eu saber.  Deus estava comigo me livrando de doenças, de acidentes, de morte. 
E a razão maior pelo qual Deus me livrou e me livra até hoje é a Sua promessa em minha vida.  E assim é na vida de todos aqueles a quem Deus faz promessas.
O texto que lemos mostra um Deus que está com todos aqueles a quem Ele faz promessas mesmo quando estes nem sabem acerca delas.
Assim como Deus me livrou da morte para cumprir em minha vida as Suas promessas, Ele também livrou Ismael da morte para cumprir nele todas as Suas promessas.
Os planos de Deus e Suas promessas estão intrinsicamente ligados à Sua presença em nossas vidas.
E como vemos isto nesta história?

A festa
Abraão deu uma festa, naquele momento ele era o homem mais feliz de todos.  Deus havia cumprido a promessa de gerar um filho na sua velhice e na de Sara e agora o menino crescia saudável e abençoado. 
Para comemorar o desmame do garoto, Abraão deu uma grande festa.  O desmame se dava mais ou menos quando a criança chegava aos 3 anos de idade.  Estavam todos se divertindo.  Havia muita comida e muita bebida.
Contudo, na festa também estava o outro filho de Abraão, Ismael.  Ele provavelmente já era um adolescente com mais ou menos 17 anos.  Ismael era um filho amado por Abraão.  A prova disto é que Abraão chegou a pedir a Deus que ele fosse o filho da promessa, ao que Deus sempre negava. 
Durante a festa, Ismael aproximou-se de seu irmãozinho Isaque e começou a brincar com ele. Contudo a brincadeira começou a virar piadinhas e acabou em pilhérias, alguns dizem até que Ismael ameaçava o pequeno Isaque.  Talvez Ismael estivesse com ciúmes, talvez Ismael estivesse se sentido ameaçado, talvez fosse tudo isto junto. 
Ismael provavelmente achou que ninguém estava olhando e continuou rindo e soltando piadinhas com Isaque.  Contudo, eis que a “leoa” Sara estava por perto e viu tudo.  Sara ao ver o que Ismael estava fazendo, encheu-se de ira e foi até Abraão pedir que ele expulsasse Ismael e sua mãe Hagar do acampamento.

A expulsão
A rixa entre Sara e Hagar já se existia desde há muito tempo.  Há quase 20 anos antes dos eventos narrados no capítulo 21 de Genesis, Sara, que ainda chamava-se Sarai, fez a cabeça de Abraão para deitar-se com Hagar, sua escrava. Ela dizia, “Já que o Senhor me impediu de ter filhos, possua a minha serva; talvez eu possa formar família por meio dela” (Gn 16:2). 
Sarai por ser estéril sentia-se uma mulher sem valor.  A cultura em que eles viviam não ajudava em nada a situação dela. Ela sentia-se até como estando sendo punida por Deus.  Por essa razão, ela teve a infeliz idéia de fazer com que Abrão deitasse com sua escrava. 
A proposta de Sarai a Abrão não foi em nenhum momento discutida com a mulher que deitaria com ele, Hagar.  Os sonhos de Hagar foram totalmente ignorados por Sarai. Como escrava, Hagar não passava de uma propriedade e de uma extensão legal de sua patroa (ama). 
A esposa legal de Abrão (Sarai) sentia-se uma mulher incompleta por não poder dar um filho ao seu marido, mas sentia-se poderosa por poder controlar a vida de outros seres-humanos sem considerar seus desejos, sonhos, vontades, e interesses.  
Já a escrava e genitora do filho dos chefes era humilhada e tratada como um objeto. Contudo, ao seu favor, tinha a capacidade de reproduzir o que lhe dava dentro desta cultura uma superioridade com relação a mulheres estéreis.  Talvez ela pensasse, “Eu posso não mandar aqui, mas pelo menos sou uma mulher completa, ao que a minha ama por mais que tenha o poder, não é uma mulher no sentido mais natural da palavra.”
O clima entre as duas esquentou quando a barriga de Hagar começou a aparecer e ela passou a andar pra cima e para baixo com o barrigão à mostra. Isto causou um grande problema para Sarai e abalou grandemente sua autoestima.
Cada vez mais humilhada por Hagar, Sarai vai até Abrão e pede que ele faça alguma coisa para resolver a situação.  Abrão sem querer tomar partido diz a Sarai que aquilo era problema dela e que ela fizesse o que ela achasse melhor, em outras palavras Abrão mandou Sarai “se virar”.
Com estas palavras, Sarai passa a perseguir Hagar de tal maneira que esta não aguenta e foge da patroa para o deserto. O orgulho de Sarai era maior que o seu coração e ela não pensou que tudo o que estava acontecendo era porque ela havia transgredido a vontade de Deus. Ela não se importa com a criança que está no ventre de Hagar que até então se acreditava ser a criança da promessa. Nada disso mais importava a Sarai, conquanto aquela serva maldita fosse para bem longe dela. 
Hagar foge para o deserto onde o Anjo do Senhor a encontra e a manda retornar para casa de Abrão e Sarai.  Todavia, durante este encontro, o Anjo do Senhor dá uma promessa a Hagar acerca do seu filho também.  Claro que Hagar não estava dentro da promessa feita a Abrão e Sarai, mas ela estava dentro dos planos de Deus. 
Sarai quis incluir uma terceira pessoa dentro do plano de Deus para Abrão e ela, mas Deus tinha outros planos para Hagar.  Eram promessas semelhantes, porém distintas.  E ali, no meio do deserto, Deus dá uma promessa a uma mulher grávida e desesperada.

São nos piores momentos de nossas vidas que estamos mais sensíveis à voz do Senhor.  Portanto, se você se encontra em meio ao deserto árido da vida, esteja atento ao que Deus está falando. Obedeça-o ao ponto de ter que fazer o impossível, pois, no tempo certo Deus cumprirá Suas promessas.

Tudo no plano de Deus tem um tempo, e não era o tempo de Hagar sair da casa de Abrão.  Por isso, o Anjo a mandou de volta.  Não há dúvida que Hagar ainda iria sofrer nas mãos de Sarai, contudo, ela voltava fortalecida com a promessa de Deus para a sua vida. 
Até então ela não tinha esperança, ela não tinha futuro, ela era apenas uma barriga ambulante sem vontade própria.  Contudo, ao se encontrar com Deus, Hagar voltou com uma porção da graça de Deus para o local do seu sofrimento, a casa de sua patroa. 
Você pode até se questionar se a atitude do Anjo de Deus foi a mais correta com relação a Hagar. Você pode está perguntando agora: O melhor a fazer era mandar ela de volta para sua raivosa e amargurada patroa? Contudo, na perspectiva divina, Deus estava protegendo Hagar da morte. O que seria melhor, permanecer no deserto sem a presença de Deus ou voltar para a casa de Abrão sabendo que Deus estava com ela? Deserto sem Deus é morte certa, e por pior que fosse a sua vida na casa de Sarai, ela sabia que Deus estava com ela. Deus havia dado uma promessa a Hagar e nada e nem ninguém haviam de tirar esta promessa dela. 
Como Dr. Garland diz em seu livro “Famílias imperfeitas da Bíblia (Flawed Families of the Bible, 2007, 35)” “A graça de Deus nos dá força para passar pelas dificuldades e sobreviver, e nos faz confiar o nosso futuro nas mãos de Deus.”
Assim Hagar volta para a casa de seus patrões. Talvez bastante humilhada, mas com o coração feliz de que O Senhor não a havia esquecido.  Quando Abrão estava com 86 anos, Hagar deu a ele seu primeiro filho, Ismael, que significa Deus escuta.
Vários anos se passaram e chegamos neste capítulo onde a história se repete. Aqui, contudo Deus já havia ratificado a promessa que Ele tinha feito a Abrão ao ponto de mudar seu nome para Abraão (pai de muitas nações) e já havia incluído Sarai na promessa mudando seu nome para Sara (princesa). E Hagar por não fazer parte da promessa de Deus para Abraão, continuou Hagar.
Sara viu o que o jovem Ismael estava fazendo e mais uma vez foi até seu marido Abraão e pediu que ele expulsasse Ismael e a escrava do acampamento.  Havia em Sara, sem a menor dúvida, medo e ciúmes, dois sentimentos que quando se juntam fazem um grande estrago na vida tanto dos que os possuem quanto na vida daqueles que as cercam.  
Nesta hora, a festa acabou para Abraão. Não por causa de Hagar, mas principalmente pela dor de ter que expulsar seu filho Ismael.  Abraão sabia que este dia chegaria mais cedo ou mais tarde, mas não achava que seria em meio a um momento de tanta alegria, logo no dia em que Isaque estava sendo desmamado. 
Tudo isso era parte do plano de Deus e era preciso a separação. Abraão já estava muito apegado a Ismael e agora Isaque iria deixar as barras da mãe e iria andar mais com seu pai. Deus queria gerar um amor e intimidade maior entre Abraão e o seu verdadeiro herdeiro e para isso era preciso que o filho maior se afastasse para sempre.
Por isso Deus visita Abraão naquela noite e o consola mesmo mandando que ele cumpra a vontade de sua esposa Sara. Abraão ficou mais tranquilo quando o próprio Deus o certificou que Ismael não iria morrer, e que em Ismael Deus também cumpriria uma promessa.
A essa altura a confiança de Abraão em Deus era inabalável e se Ele prometera, Ele cumpriria. Por isso, na manhã seguinte, ainda com os restos da festa do dia anterior espalhados por todos os lados, Abraão pegou toda a provisão de comida e água que Hagar poderia carregar e a entregou.  Ele mesmo fez questão de colocar em seus ombros e ali mesmo a despediu junto com Ismael. 
Contudo, Deus estava com Ismael. E ainda que este não soubesse, Deus já estava preparando todas as coisas para cumprir Suas promessas na sua vida. 

Eu não sei com quem você se identifica nesta história.  Com Sara (a matriarca poderosa que com ciúmes manda expulsar aqueles que ameaçam a herança de seu filho), com Abraão (o grande patriarca que ama seu filho maior, mas que acima de tudo ama a Deus ao ponto de obedecê-lo mesmo quando Ele autoriza a separação perpétua do seu filho), com Hagar (a mulher objeto que por diversas circunstâncias da vida viveu uma vida de muita humilhação, mas que sabia que Deus a amava e que viveria para ver a promessa de Deus cumprida em seu filho) ou com Ismael (o primogênito de Abraão, mas que não teve as regalias de ter nascido primeiro e foi mandado embora de sua casa para que no deserto Deus cumprisse a promessa feita a ele mesmo antes dele nascer.)? Com quem você se identifica?
A mensagem de hoje é para todos que se identificam de uma forma ou de outra com Ismael, o símbolo do abandono mais acima de tudo o símbolo da esperança.  Ao mesmo tempo em que Ismael simboliza o abandono, ele simboliza também a esperança de que no tempo devido Deus cumprirá as Suas promessas.  

E a pergunta que eu faço é: Porque Ismael simboliza também a esperança? A resposta está no versículo 20 deste capítulo 21 “Deus estava com o menino”. É importante notar que Deus não veio apenas agora estar com o menino. Ele sempre esteve com o menino, mesmo antes de o menino nascer.  Assim também é conosco. Nos momentos mais difíceis de nossas vidas, Deus está conosco! 
E são exatamente nestes momentos mais escuros que devemos confiar e saber que Deus está conosco. Assim também foi com Ismael, veja:
1)    Deus estava com Ismael quando ele foi expulso de sua comunidade pelo seu próprio pai (vs 13-14)
“Mas também do filho da escrava farei um povo; pois ele é seu descendente. Na manhã seguinte, Abraão pegou alguns pães e uma vasilha de couro cheia d’água, entregou-os a Hagar e, tendo-os colocado nos ombros dela, despediu-a com o menino.”
A Bíblia não fala o que Ismael achou de tudo aquilo.  Talvez ele não entendesse o porquê de uma brincadeirinha simples entre irmãos resultasse em tamanho desastre. Talvez ele estivesse constantemente pensando, “o que foi que eu fiz dessa vez para merecer ser expulso da minha própria casa pelo meu pai?”  A verdade é que ele não fez nada, apenas ele não pertencia àquele lugar.  Havia chegado a hora de partir.  E como partir sem ser mandado embora? Não tem como! Abraão para seguir fiel às promessas de Deus para sua vida precisou tomar atitudes difíceis.  E uma delas, com certeza, foi mandar seu primogênito partir de vez. Foi expulsá-lo do convívio familiar.
Mas na cabeça do jovem Ismael as coisas não funcionavam assim.  A vida não funciona assim.  Talvez para Abraão as coisas fizessem bastante sentido, pois ele já era um homem experimentado, maduro, vivenciado, contudo, Ismael era apenas um adolescente sendo expulso de sua própria casa por seu próprio pai e o pior, sem razão aparente.
Não é a toa que a Bíblia diz que ele seria como um “jumento selvagem e que sua mão seria contra todos e a mão de todos seria contra ele e ele viveria em hostilidade contra todos os seus irmãos.
Até então, a promessa de Deus era clara para Abraão e Sara e meio turva para Hagar. Contudo, Ismael estava alheio a essas promessas. Para ele tudo aquilo não era parte de um plano divino, mas de uma vingança de uma madrasta raivosa e ciumenta que havia feito a cabeça de seu pai contra ele e sua mãe Hagar. 
Mas ainda que o jovem não soubesse, Deus estava por trás de tudo. Deus nunca o havia abandonado, Deus nunca o havia humilhado, Deus nunca o havia deixado a esmo.  Muito pelo contrário, Deus estava preparando todas as coisas nos bastidores.  Havia mais sofrimento por vir, contudo havia muitas promessas para serem cumpridas também.  Ismael talvez não enxergasse isso agora, contudo, o tempo de Deus para transformar choro em alegria estava se aproximando e Deus, tão certo como o ar que respiramos, iria mudar a sorte de Ismael. 

Infelizmente vivemos dias terríveis:
·         A sociedade está cada vez mais secularizada;
·         A família está cada vez mais pulverizada;
·         Os casamentos estão cada vez mais descartáveis;
·         Os valores cada vez mais destituídos de valores eternos;
·         A pessoa está cada vez mais individualizada;
·         E o amor cada vez mais congelado.   

E estas mazelas com certeza deságuam dentro da igreja. E é importante que isto aconteça, pois Jesus veio para os doentes e não para os sãos.  Queremos que todos aqueles atingidos pela banalização do próximo e da vida venham beber da água da vida e venham receber o amor do Pai em Jesus Cristo. 

Queremos que todos escutem a mensagem salvadora e restauradora de Jesus, queremos que todos ouçam o Evangelho e se arrependam de seus maus caminhos e deixem aos pés da cruz de Cristo toda ferida na alma causada por algum abandono, por algum desprezo.

Saiba meu irmão e minha irmã, que não importa quem um dia abandonou você, Deus nunca o abandona.  Não importa se você conhece o seu pai ou não, se você foi bem ou mal tratado por ele, saiba que Deus nunca o abandonou e nunca o abandonará, saiba que ele tem para ti um plano e uma promessa e que você é amado dEle.  O Senhor ama e nunca abandona Seus filhos!

Ismael parte do acampamento junto com sua mãe em direção ao deserto de Barseba. No deserto, Ismael e sua mãe ficam vagando, pois, eles não tem para onde ir.  Com o calor escaldante do deserto, todo o suprimento de água logo se acaba e o risco de morte cresceu consideravelmente.  Levando em consideração que só podemos passar sem beber água entre 3 a 4 dias e que eles teriam provavelmente estoque de água para uns 2 a 3 dias, portanto, já fazia mais de uma semana que Ismael e Hagar estavam vagando pelo deserto. 
A situação foi complicando ainda mais quando Ismael por conta da desidratação foi perdendo a força cada vez mais a ponto de se tornar um peso para a mãe que não conseguia carrega-lo.  Ela conseguiu ver um arbusto que fazia uma pequena sombra e levou o seu filho até lá. A situação estava cada vez pior, pois Hagar chorava compulsivamente ao ver a situação de seu filho morrendo em seus braços. 
Foi então que ela decidiu fazer algo muito duro, abandonar Ismael.
Ismael estava desidratado ao ponto de não ter mais forças para caminhar.  Sua mãe não aguentava vê-lo naquele estado de morte e fez algo insano, abandonar o próprio filho para não vê-lo morrer.
Todavia, Deus não apenas estava com Ismael quando ele foi expulso pelo pai, mas também:
2)    Deus estava com o Ismael quando ele foi abandonado por sua mãe para morrer debaixo de um arbusto (17-18)
Deus ouviu o choro do menino, e o anjo de Deus, do céu, chamou Hagar e lhe disse: ‘O que a aflige, Hagar? Não tenha medo; Deus ouviu o menino chorar, lá onde você o deixou. 18 Levante o menino e tome-o pela mão, porque dele farei um grande povo.”
Ismael agora experimentava o gosto amargo do abandono completo.  Ele foi expulso por seu pai e foi abandonado para morrer debaixo de um arbusto por sua mãe. Claro que tanto seu pai quanto sua mãe o amava, mas era preciso que ele se sentisse abandonado por todos para saber que quando tudo e todos falham Deus nunca falha. 
Ismael chora amargamente por ter sido abandonado por sua mãe e Deus ouve o seu choro. Se Ismael dependesse de homens neste momento para não morrer, ele morreria.  Ismael estava solitário no deserto. A sua mãe já o havia abandonado, ele já estava sem forças para caminhar.  Seu choro era mais interno do que externo.  Não havia casas por perto, não havia hospitais, não havia ambulância.  Mais uma vez, foi neste quadro de total desolação pessoal, que o Senhor ouviu o choro de Ismael. 
Mesmo que saísse apenas grunhidos de dor de seu corpo, diante do Deus todo poderoso, o choro do menino era como se fosse um sino batendo em pleno meio dia.  O Senhor ouviu o choro do menino e agiu em favor dele. 

Talvez você esteja se perguntando se Deus ouve o seu choro. Talvez você esteja se perguntando se Ele se importa com o seu sofrimento.  Talvez você ache que as suas lágrimas estão sendo derramadas em vão.  Mas saiba que assim como Deus ouviu a Ismael, o filho abandonado, Deus também te ouve.  Assim como Deus fez promessas a Ismael, Deus também te faz promessas.  Temos várias promessas na Bíblia para nós, promessas de salvação, promessas de provisão, promessas de paz e vida abundante.  Não deixe que suas lágrimas ofusquem as promessas de Deus para você.  Chorar é importante, pois lava a nossa alma, mas permanecer chorando nos empata de ver as promessas de Deus. 

E foi por causa da promessa de Deus para com Ismael que o Anjo do Deus veio até Hagar para consolá-la e motivá-la a não desistir. 
Ao mesmo tempo em que Ismael chorava em um lado do deserto Hagar também chorava no outro.  O anjo de Deus desce até esta mãe desesperada e com medo e a consola.  Agora o plano de Deus na vida de Ismael dependia de Hagar.  Hagar viu novamente um propósito para sua vida e viu como o seu filho dependia dela naquele momento tão crítico para ele. 
Nesta hora Deus abre os olhos de Hagar e ela pode ver uma fonte de água.  Ela enche seus reservatórios com água e leva até o jovem debaixo do arbusto. Ela o reidrata e o livra do risco da morte. 
Deus estava com Ismael porque foi Ele quem salvou Ismael.  Foi Deus que veio ao encontro de Hagar e a convenceu de voltar.  Foi Deus que mostrou a fonte de água para reabastecer seus reservatórios. 

Por maior que seja o amor de uma mãe por seu filho, este ainda é pequeno quando comparado ao amor de Deus. 
Salmos 27:10 diz “ainda que me abandonem pai e mãe, o Senhor me acolherá”.
Ultimamente temos visto várias mães abandonando seus filhos em latas de lixo, em rios, em ruas, etc. A mãe pode até nos abandonar, mas Deus nunca nos abandona.
Talvez o abandono que você tenha sofrido não foi físico, mas emocional, saiba que Deus quer curar tuas emoções.
Talvez você esteja se sentindo abandonada pelas pessoas que você mais ama, ou talvez você esteja irada com as pessoas que mais te amam, uma coisa ou outra, se entregue a Jesus.  Deixe-O abrir seus olhos para você vê-lo mais nitidamente.  Ele é a fonte inesgotável de águas vivas.  Só Ele pode saciar a tua sede, só Ele pode dar o verdadeiro sentido para tua vida, só Ele pode te acompanhar e te amar em todos os momentos de sua vida. Foi Deus quem salvou Ismael da morte e Ele quer te salvar da morte eterna também.  Assim como Deus estava com Ismael Ele quer está para sempre contigo também.

E por fim, Deus não só estava com Ismael quando ele foi expulso pelo seu pai e abandonado pela sua mãe, mas...

3)    Deus estava com o Ismael garantindo o cumprimento da promessa (vs 20-21)
“Deus estava com o menino. Ele cresceu, viveu no deserto e tornou-se flecheiro. Vivia no deserto de Parã, e sua mãe conseguiu-lhe uma mulher da terra do Egito.”
Deus salvou Ismael porque Ele havia prometido a Abraão que dele também faria uma grande nação.  E por mais difícil que foi este momento de separação de Ismael e sua mãe de Abraão e Sara Deus preservou o jovem para cumprir nele Suas promessas.
Deus proveu para ele e sua mãe o pão de cada dia.  Ele se tornou um flecheiro.  A cultura deles mandava que uma vez que o filho não mais tivesse um pai, a mãe buscava de sua família uma esposa para ele mesmo este tendo pouca idade.  Ele passou a viver no deserto de Parã que hoje é a Arábia e se tornou o pai de todo o mundo árabe.
Em Genesis 25 a partir do versículo 8 relata a morte de Abraão e vemos Ismael junto com seu irmão mais novo enterrando o pai.  Logo em seguida, o texto sagrado narra a descendência de Ismael mostrando assim o cumprimento das promessas de Deus para ele. 
O versículo 16 diz, “foram esses os 12 filhos de Ismael, que se tornaram os líderes de suas tribos, os seus povoados e acampamentos receberam os seus nomes.” Versículo 17 “Ismael viveu 137 anos. Morreu e foi reunido aos seus antepassados.”
Mesmo morrendo relativamente cedo (Abraão morreu com 175 e Isaque com 180) Ismael antes de morrer ainda deu uma de suas filhas em casamento a Esaú, seu sobrinho (Gn 28:9).
Deus estava com Ismael e todas as suas promessas foram cumpridas. 
O caminho para o cumprimento das promessas de Deus pertence a Ele.  A nossa tarefa é confiar nas promessas de Deus e no Deus de todas as promessas.
Para Ismael chegar à plenitude da promessa que Deus tinha para ele, ele precisou ser expulso para sempre de sua casa por seu pai, ele precisou ser abandonado por sua mãe que só voltou porque Deus mandou que ela voltasse para depois chegar a alcançar a promessa. Todavia, em nenhum momento Deus o largou, em nenhum momento Deus o abandonou, em nenhum momento Deus o entregou à própria sorte, em nenhum momento Deus o desamparou. 
Assim também é na vida daqueles que creem em Cristo. 
Há mais de 2000 anos um menino nasceu em Belém e o seu nome é Emanuel – Deus conosco.
Em Mateus 28 Jesus promete está conosco até o fim dos tempos.  
Ao apóstolo Paulo através de uma visão Jesus disse, “Não tenha medo, continue falando, e não fique calado, pois estou com você e ninguém vai lhe fazer mal.
Você sabe por que todas as promessas de Deus irão se cumprir na minha vida e na sua? Porque o Deus que fez as promessas é fiel para cumpri-las independente de nós.
  

Friday, February 18, 2011

Saturday, December 25, 2010

Púlpito Cristão: A nova reforma protestante

Púlpito Cristão: A nova reforma protestante: "Por Ricardo Alexandre Matéria publicada na Revista Época Rani Rosique não é apóstolo, bispo, presbítero nem pastor. É apenas um cirurgiã..."

Monday, November 08, 2010

Buscando a Paz de Deus Através dos Nossos Relacionamentos





Série: O Mistério da Igreja
Sermão: Efésios 5:22 – 6:9
Pregador: Pr. Rodrigo Serrão
Pregado em 07/11/2010 na sede do CEDIN

Introdução:
QUEM NÃO DESEJA PAZ?
Estamos na reta final deste tão importante livro da Bíblia.  O livro de Efésios fala sobre a nova sociedade de Deus, ou seja, uma sociedade formada de pessoas redimidas no sangue de Jesus.  Paulo falou nos primeiros capítulos de como a igreja foi salva e agora ele está falando a respeito do modo de vida que esta igreja deve viver.  Como eu já disse aqui antes, a carta aos Efésios começa nas regiões celestiais, mas acaba dentro de nossas casas.  
Paulo tem alicerçado os seus argumentos até aqui em duas grandes bases, a unidade e pureza.  Vimos isso desde o início da carta.  Aqui não é diferente.  Paulo vai falar dos deveres domésticos tendo a unidade e a pureza em sua mente. 
Além disto, ele vem de um longo parágrafo acerca da vida em comunidade.  Ele diz que devemos falar uns com os outros com salmos, hinos e cânticos espirituais.  Diz também que devemos ser cheios do Espírito.  É a partir deste contexto que encontramos o nosso texto.  Para Paulo, não adianta vivermos em paz em comunidade se não vivermos em paz na família.  A verdade é que a paz família deve ser a base para a nossa paz em comunidade.
A pergunta que eu quero que você responda é: Eu tenho paz na minha família?  Ou, há paz em minha casa?
A resposta para esta pergunta é muito importante.  Pois, a partir da paz dentro de casa, podemos garantir que haja um processo de expansão desta paz para outras áreas de nossas vidas.  Ou o contrário, as vezes há paz em casa e não há paz fora, quando isto acontece olhamos para nosso lar como um porto seguro, como um lugar onde seremos abençoados, agraciados, onde o refrigério de Deus será manifesto através do lar, da família abençoada.  Deus muitas vezes usa um lar abençoado para ministrar refrigério e paz àqueles que estão atribulados e são perseguidos em seus trabalhos, etc. 
Por isso pergunto novamente: Você encontra paz em sua casa, em seu lar?   

O texto que acabamos de ler nos mostra as relações familiares e de trabalho que deve haver entre maridos e esposas, pais e filhos, chefes e subordinados.  Estas relações por serem bastante naturais fazem com que não pensemos no poder que elas têm de garantir a paz ou a guerra dentro dos nossos lares.  Não há como evitar estes relacionamentos, pois, os solteiros não escapam de terem pais.  E ainda aqueles que não têm cônjuges e não são pais ou não tem mais pais, não escapam de terem chefes ou patrões.  Ou seja, de uma forma ou de outra, você se coloca em alguma posição dentro destes três tipos de relacionamentos que Paulo menciona aqui. 
A ênfase de Paulo é no relacionamento saudável.  E relacionamento saudável é igual a paz para as nossas vidas.
Qual o ensinamento que o texto nos dá que trará paz para nossos relacionamentos?
Este é um sermão de um ponto e vários subpontos.
1)      Que cumpramos o nosso dever dentro do relacionamento
Ao falarmos sobre deveres estabelecidos por Deus aos homens e mulheres dentro do lar, aos pais e filhos e aos senhores e servos (trabalhadores e patrões) não podemos esquecer duas coisas: 
1)      Que existe uma sujeição mútua já estabelecida por Deus dentro da igreja do Senhor Jesus (Ef. 5:21);
2)      Que não há distinção entre homem e mulher, livre ou escravo, judeu ou gentio diante de Deus (Gl. 3:28)

Portanto, ainda que preguemos e ensinemos diferentes papéis ou deveres dentro dos nossos relacionamentos familiares, devemos ao mesmo tempo rejeitar qualquer tipo de ensino contrário à igualdade entre os sexos e as pessoas (independente de raça, credo religioso, etc).   Somos todos iguais diante de Deus.  Esta é a frase que deve estar em nossa mente durante todo o tempo que eu estiver falando aqui.
O que difere, contudo é o nosso papel diante de Deus para com a pessoa que nos relacionamos. 
Isto é tão verdadeiro que podemos dizer que uma pessoa é ao mesmo tempo, marido ou esposa, pai ou mãe, filho ou filha, e patrão ou empregado.  Ou seja, a mesma pessoa igual a todas as demais exerce vários papéis estabelecidos por Deus.
Estes papéis são adquiridos por nós à medida que vamos crescendo e estabelecendo relacionamentos com a sociedade em nossa volta. 

Para cada tipo de relacionamento, Deus estabeleceu um comportamento.  Eu não posso agir com minha esposa da forma como eu ajo com um filho, pois, o mandamento de amar como Cristo amou a igreja é para a relação marido/esposa e não ao pai/filho.  Nem posso querer que minha esposa aja comigo como o meu filho deve agir, pois ao filho a ordem é para obedecer à esposa para se submeter e estas duas coisas são diferentes. 

Portanto, eu devo ser o cabeça da minha casa, amar a minha esposa sacrificialmente, obedecer a meus pais, quando tiver filhos exigir obediência e não provocar-lhes a ira, devo também obedecer aos meus chefes e se um dia for chefe tratar os subordinados de forma justa, da maneira que quero ser tratado.  TUDO ISTO AO MESMO TEMPO.

Eu e você somos seres complexos e temos vários níveis de relacionamentos e para cada um de nossos relacionamentos devemos exercer os papéis ao qual Deus determinou.  Se eu e você agirmos assim teremos paz.

Tendo dito isto, quero olhar para o relacionamento entre marido e mulher de forma mais profunda e passar mais superficialmente pelos outros dois tipos de relacionamentos mencionados por Paulo.

Já que todos nós temos papéis diferentes dentro dos relacionamentos, quais são os papéis que devemos exercer dentro de um casamento?

Comecemos com as mulheres.  O texto diz, Ef. 5:22-24.
  1. Mulheres sujeitem-se cada uma a seu marido, como ao Senhor.
Se quisermos entender esta frase, é importante que nos abstenhamos de qualquer preconceito machista ou feminista.  Quando ouvimos acerca da sujeição da esposa ao seu marido, muitas pessoas acham que isto é antiquado e que já não devemos encorajar este tipo de comportamento nos lares.  Contudo, parece que muita ênfase foi dada a questão de submissão da esposa e se esqueceram de olhar para o papel masculino da relação.  Contudo, uma coisa está ligada a outra e ambas as coisas ligadas a Cristo. 

Perceba que todo o argumento de Paulo tem a ver com o nosso relacionamento com Jesus e de Jesus conosco (a igreja).  Ele não está pedindo nada que Ele mesmo não tenha feito.  E a grande razão da mulher ser submissa é porque a igreja é submissa. 

Tudo isto fica mais fácil de entender quando olhamos para o casamento e pensamos primeiramente no ato da criação quando Deus criou o homem e a mulher e depois no ato da redenção e o relacionamento de Cristo e Sua igreja. 

Deus no momento da criação primeiro criou o homem e por isso deu a ele o domínio da criação.  Contudo, viu Deus que não era bom para o homem viver só.  Ou seja, para completar o homem Deus cria a mulher do próprio homem.  A mulher então vem ao mundo em um processo seguinte ao do homem.  Portanto, primeiro Deus cria o homem do pó da terra, e depois cria a mulher da costela do homem.  Aqui podemos ver que existe uma leve superioridade inerente ao homem, pois foi dele que veio a mulher.  Para terminar com essa superioridade, Deus faz com que a partir do relacionamento sexual do homem e da mulher, toda a humanidade seja gerada dentro da mulher e saia dela, igualando a mulher ao homem.  Nisto temos a igualdade do homem e da mulher e a liderança do homem por ter sido feito primeiro. 

O segundo prisma pelo qual devemos entender a submissão da mulher ao homem é através do paralelo da redenção.  Entendemos que Cristo ao morrer e ressuscitar se tornou o cabeça da igreja e a igreja se tornou a noiva de Cristo.  Estas duas nomenclaturas (cabeça e noiva) demonstram o amor que há entre Cristo e aqueles que são salvos por Ele.  Não há como imaginar um Jesus salvador que não ame a igreja e uma igreja resgatada, lavada, pura e santa sem ser submissa a Jesus.  Por isso, Jesus como cabeça demonstra a sua liderança e a igreja como noiva demonstra a sua submissão. 

É por isso que a esposa deve ser submissa ao marido, pois o homem foi feito primeiro que ela tendo liderança sobre ela e assim como Cristo se tornou o cabeça da igreja, o homem se tornou o cabeça da mulher.   
Contudo, não se esqueçam, Paulo está estabelecendo o papel do marido e da esposa.  A mulher não precisa ser submissa a qualquer homem, mas somente ao seu marido. 

Todo o conceito de relacionamento entre marido e mulher tem aqui um paralelo entre Jesus e a Sua igreja.  Por isso que não temos problemas de pensar acerca da submissão da igreja a Jesus.  Por que Jesus é um excelente noivo.  Jesus é um excelente líder.  Jesus não explora, não maltrata, não abusa, não age em desamor.  Por Jesus ser perfeito, a submissão da igreja é alegre e natural.

Esse é o papel da mulher.   Ser submissa ao marido.

Agora vamos aos maridos onde eu estou incluso. 
  1. Maridos amem as suas esposas.  Como a Cristo. Leiamos Efésios 5:25-33.
Veja que o argumento de Paulo para os maridos é bem mais longo do que para as mulheres.  Ou seja, temos uma grande obrigação a cumprir como maridos. 
A palavra chave aqui para os maridos é Amor.  E não podia ser diferente, se no relacionamento matrimonial faz paralelo do relacionamento entre Jesus e a Igreja, se amor não estivesse presente algo estaria errado.  Portanto, se a mulher é comparada à Igreja e por isso precisa ser submissa, o homem é comparado a Jesus e por isso precisa amar.  E não apenas amar um amor comum, mas amar um amor sacrificial. 

Este amor ao qual Paulo manda que os maridos imitem parte da perfeição de Deus em Jesus e da obra feita por Jesus na igreja.  Perceba que o amor de Cristo pela igreja transformou-a ao ponto dela se tornar santa, pura, gloriosa, sem mancha, sem ruga, santa e inculpável. 

Perceba aqui que todo este processo de embelezamento da igreja não partiu dela mesma, mas partiu do amor sacrificial de Cristo por ela.  Claro que este processo só estará completo na glória, quando a igreja de fato será 100% santa e não viverá mais nesta terra, mas terá ido viver eternamente com seu noivo.  Contudo, a analogia é perfeita ao mostrar que quanto mais o marido ama a esposa e quanto mais a esposa se sente amada, mais perfeita se torna a relação e mais submissa se torna a esposa. 

Contudo, Paulo não termina por aí.  Depois de falar do amor perfeito que é o de Jesus pela igreja, ele desce um pouco para o amor-próprio que os homens devem ter por eles mesmos. 
O que Paulo está fazendo aqui é sendo realista com relação ao amor.  O amor de Jesus é de fato incompreensível.  A Bíblia diz que este amor excede a todo entendimento.  Paulo, no entanto, quer mostrar de forma prática o amor a que ele está se referindo.  Paulo não quer que nenhum marido depois venha com desculpas do tipo: “Eu não posso amar como Cristo amou, pois Ele é Deus e eu não sou.” “Ele é perfeito e eu não sou.”  Paulo então diz, “ame como você se ama”  Todos nós temos a noção do amor-próprio.  Eu me amo ao ponto de não querer sofrer.  Eu me amo ao ponto de não querer nada que me traga dor, choro, angustia.  Isto nos vem automaticamente.  É assim que Deus quer que você ame a sua esposa, sacrificialmente e de forma prática no dia-a-dia trazendo alegria e fazendo-a feliz. 

Paulo encerra esta parte dos papéis entre homem e mulher falando do mistério profundo disto tudo.  Ele já havia falado do mistério da unidade entre judeus e gentios, mostrando que em Cristo não havia mais diferença.  Agora, o mistério é com relação ao casamento que também simboliza a relação de união entre a igreja e Cristo.    
O que é mais sagrado do que isto? 
Entender que o nosso casamento é um símbolo da união de Cristo e a Sua igreja é algo que deve gerar reflexão acerca de como eu conduzo a minha vida conjugal.
O que é este amor que Paulo está falando?  Será que eu consigo olhar para minha mulher e dizer que eu morreria por ela? Ou olhar para ela e dizer que ela é uma extensão minha ao ponto de se ela sofrer eu também sofro?  É assim que somos mandados a amar as nossas esposas. 

A partir daí, amando desta forma, exercemos o nosso papel de maridos e a nossa liderança é nos dada e não precisamos impô-la.  A mulher exercerá seu papel de mulher e o homem seu papel de homem e ambos terão a paz que precisam para viver suas vidas.

Portanto, no momento em que um dos dois passa a exercer seu papel, é fundamental que o outro também o faça.  Se apenas uma das partes viver, encarnar seu papel, não haverá paz, mas quando os dois entendem e vivem, encarnam seus papéis, então a paz será parte da vida familiar.

Paulo continua falando dos papeis que devemos exercer dentro dos relacionamentos e o próximo é entre pais e filhos.
Aos filhos ele diz: Ef. 6:1-3.
  1. Filhos obedeçam a seus pais no Senhor
Aqui a instrução é clara. Querem ter paz com os pais?  Obedeçam-nos!
Um teólogo inglês chamado John Stott nos mostra aqui que Paulo dá dois motivos para a obediência dos filhos aos pais: a natureza e a lei.
a)      A natureza – Paulo diz, “filhos, obedecei a vossos pais... pois isto é justo.” Esta obediência está no âmbito do que a teologia chama de “justiça natural.” Em um bom português, significa que aquele que gera tem autoridade sobre aquele que é gerado. Isto é ou não justo?
b)      A lei – Paulo também diz, “Honra a teu pai e tua mãe – este é o primeiro mandamento com promessa – para que tudo te corra bem e que tenhas longa vida sobre a terra.” Aqui Paulo cita um dos dez mandamentos da lei de Moisés.  Quando honramos nossos pais, reconhecemos a autoridade dada por Deus a eles.

  1. Pais não irritem seus filhos. 
Os pais não escapam das instruções de Paulo.  Para que a paz seja completa entre pais e filhos, não adianta apenas os filhos obedecerem, é preciso que os pais não irritem seus filhos.  Nunca pensamos que um pai pode irritar um filho, mas isto acontece sempre.  Por exemplo:
  • Pais que ficam zombando de alguma característica engraçada do filho, pode ser um jeito, um gosto, etc.
  • Pais que ficam envergonhando os filhos em público.
  • Pais que cobram dos filhos, mas que não são exemplos naquilo que cobram.
  • Desrespeitando os filhos.

Como os pais podem evitar irritar seus filhos?
  • Criando em suas casas um ambiente onde haja graça, amor, respeito, suporte;
  • Sempre falando a verdade em amor;        
  • Atendendo as necessidades materiais e emocionais do filho;
  • Dando liberdade dentro dos limites impostos;
  • E nunca diminuindo, humilhando, machucando (tanto fisicamente como emocionalmente).

Por fim, aqueles que trabalham, trabalhem com toda a força e vigor, fazendo tudo como se estivesse fazendo ao Senhor.  Nunca pensem em seus empregos apenas com um mero trabalho, mas acima de tudo uma oportunidade para servir ao Senhor.  Sejam exemplos em seus empregos, glorifiquem a Deus com seus talentos e nos seus empregos.  Deus nos recompensará além do mais isto evita conflitos e conseqüentemente traz paz.
E aqueles que são os empregadores, Paulo manda ser justo.  Não adianta eu querer ser superior a ninguém, pois diante de Deus somos todos iguais.  Se tivermos isto sempre em nossas mentes não traremos prejuízos a ninguém e estaremos honrando a Deus que nos colocou em posição de empregador.  
 Oremos.

Sunday, October 10, 2010

Qual o seu dom?

Série: O Mistério da Igreja
Sermão: Efésios 4:7-16
Pregador: Pr. Rodrigo Serrão




Introdução
Você já viu alguém tentar exercer uma atividade e as pessoas dizerem “Você nasceu para isto” ou, “Acho que você está na área errada”. Se você me ver tentando jogar futebol, você vai entender o que estou falando. Eu não nasci para jogar bola. Eu posso até começar bem, mas não conseguirei enganar meu time por muito tempo. Eu não sei driblar, não gosto de cabecear, não sei fazer passes. Ou seja, sou o cara errado no lugar errado.
Agora, se você me der uma prancha de surf aí a história muda. Comecei a surfar quando eu tinha 13 anos e rapidamente tomei gosto e aprendi a me levantar. Aos 15 anos eu viajava pelas praias do litoral paraibano e do rio grande do norte pegando onda. Mesmo sabendo que eu não era o melhor, mas eu sabia que daquilo eu entendia. Eu sabia e ainda sei surfar. E além de saber, eu gosto de surf, tenho prazer neste esporte.
Saindo do esporte e entrando nas profissões. Existem profissões que você sabe que não nasceu para elas. Por exemplo, eu não nasci para ser músico, mas especificamente cantor. Não sei cantar, não sou afinado e não tenho técnica. Ou seja, se eu for cantar aqui, ficarei rapidamente roco e espantarei qualquer visitante que por ventura me ouça cantar. Contudo, se você quiser que eu dê uma aula, seja de inglês ou de teologia, eu posso não ser o melhor, mas com certeza, estarei bem mais a vontade e farei com gosto. Se você me chamar para pregar, eu posso não ser o melhor pregador, mas com certeza terei um prazer enorme em abrir a Palavra de Deus e começar a falar sobre ela.
Essa não é somente a minha experiência, mas a de todos vocês aqui. Cada um de nós recebeu dons e talentos de Deus para serem executados em nossa comunidade, ou seja, aqui no CEDIN, como também lá fora, para servir a sociedade em geral.
E é sobre isto que Paulo vai falar nesta passagem. A distribuição dos dons para o serviço cristão.


Elucidação Bíblica
Vimos até agora, Paulo escrevendo à igreja sobre o que Jesus havia feito por eles. Vimos a obra cósmica de Jesus e todo as bênçãos que nos estão disponíveis nas regiões celestiais. Contudo, a partir deste capítulo, Paulo vai entrar no resultado prático de toda obra de Cristo. O que Cristo fez na cruz e todo o plano divino tem resultados em nosso dia-a-dia. Por isso que podemos dizer que o livro de Efésios começa no céu, mas termina nos nossos lares, nos nossos relacionamentos, nos nossos negócios, e em todas as áreas de nossas vidas aqui na terra.
Qualquer um que se diz cristão, precisa mostrar em sua vida a mudança que a obra de Cristo executa na pessoa. Todo o cristão precisa viver “de maneira digna da vocação que recebeu” (v.1). Ninguém está isento.
Neste trecho que lemos, Paulo irá mostrar como esta mudança de vida está totalmente ligada ao trabalho de Jesus na distribuição dos dons para a igreja. Existem várias listas de dons espirituais na Bíblia. Por exemplo:


1 Cor 12:7-10: “A cada um, porém, é dada a manifestação do Espírito para o proveito comum. Porque a um, pelo Espírito, é dada a palavra da sabedoria; a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra de conhecimento; a outro, pelo mesmo Espírito, a fé; a outro, pelo mesmo Espírito, os dons de curar; a outro a operação de milagres; a outro a profecia; a outro o dom de discernir espíritos; a outro a variedade de línguas; e a outro a interpretação de línguas. Mas um só e o mesmo Espírito opera todas estas coisas, distribuindo particularmente a cada um como quer.”


1 Cor 12:28-30: “E a uns pôs Deus na igreja, primeiramente apóstolos, em segundo lugar profetas, em terceiro mestres, depois operadores de milagres, depois dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas. Porventura são todos apóstolos? são todos profetas? são todos mestres? são todos operadores de milagres? Todos têm dons de curar? falam todos em línguas? interpretam todos?”


Romanos 12:4-9: “Pois assim como em um corpo temos muitos membros, e nem todos os membros têm a mesma função, assim nós, embora muitos, somos um só corpo em Cristo, e individualmente uns dos outros. De modo que, tendo diferentes dons segundo a graça que nos foi dada, se é profecia, seja ela segundo a medida da fé; se é ministério, seja em ministrar; se é ensinar, haja dedicação ao ensino; ou que exorta, use esse dom em exortar; o que reparte, faça-o com liberalidade; o que preside, com zelo; o que usa de misericórdia, com alegria.”


1 Pedro 4:10-11: “servindo uns aos outros conforme o dom que cada um recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus. Se alguém fala, fale como entregando oráculos de Deus; se alguém ministra, ministre segundo a força que Deus concede; para que em tudo Deus seja glorificado por meio de Jesus Cristo, ma quem pertencem a glória e o domínio para todo o sempre. Amém.”


Cada lista mostra que os dons vêm de Jesus que distribui como quer, de forma variada, com vistas no aperfeiçoamento dos santos e o serviço cristão.
Aqui em Efésios não é diferente. Paulo vai também fazer uma lista de dons. Contudo, Paulo tem em mente um fator especifico com relação a esta lista. Ele listou dons específicos para aqueles que preparam os santos para a obra do ministério. Claro que todo dom tem que ser usado no corpo, mas estes que Paulo menciona aqui têm um propósito bastante claro, “preparar os santos para a obra do ministério.”
Neste contexto, o desejo de Paulo é mostrar ao povo 3 coisas acerca dos dons.
1. De onde procedem os dons
2. Quais são os dons que preparam os santos para o ministério
3. Quais os resultados práticos para a igreja quando estes dons são usados.
Paulo começa então mostrando a procedência dos dons. É de fundamental importância para uma igreja conhecer a fonte de onde vêm todas as bênçãos.


1. De onde procedem os dons (vs 7-10)
Paulo começa falando da graça que foi dada a cada um de nós. Mesmo não se referindo diretamente à palavra dom que em grego é charismata (dom), Paulo está se falando deles. Paulo diz que esta graça ou este dom foi dado a cada um de nós por Cristo. Ou seja, os dons procedem de Jesus.
E porque Jesus tem autoridade para distribuir os dons?
Porque Ele subiu em triunfo às alturas...
Paulo neste momento cita o Salmo 68:18. É interessante notar que este Salmo 68 era lido nas sinagogas sempre associado ao Pentecoste judaico. O Pentecoste na verdade comemorava a entrega da lei ao povo Judeu. Portanto, ao citar este Salmo, Paulo está fazendo um paralelo entre Moisés recebendo a lei e dando a Israel com Cristo recebendo o Espírito e dando à igreja.
Portanto o paralelismo aqui é entre receber e entregar. Moisés recebeu a lei e entregou ao povo, Jesus recebeu o Espírito e deu à igreja.
Depois de citar o Salmo, Paulo vai explicar que a razão dele ter subido foi porque antes ele havia descido. Aqui alguns podem achar um paralelo com 1 Pedro 3:19 que diz que Jesus após morrer pregou aos espíritos aprisionados.
Contudo, os reformadores entendiam que descer às profundezas da terra significava tão somente a encarnação de Cristo na terra. Jesus suportou grandes humilhações como homem e isto se agravou ainda mais pelo fato dele ter morrido uma das mortes mais humilhantes que havia naquela época – a morte de cruz.
Portanto, Jesus é o único que pode distribuir os dons, pois foi Ele que desceu e foi humilhado, foi morto e ressuscitado ao terceiro dia. Foi Ele que em triunfo foi elevado à presença do Deus Pai e de lá deu o Espírito à igreja para habitar dentro dela e os dons para capacitar e edificar seu povo.
A pergunta que fica para nós então é: Se Jesus distribui os dons para a Sua igreja, ou seja, para aqueles que o receberam e tem o Espírito, qual o seu dom?
Não há nenhum cristão que não possua um dom. Seu dom pode não estar nesta lista de Efésios. Pode não estar na lista de Romanos, pode até não está em nenhuma destas listas (pois os dons não se limitam ao escritos aqui), contudo, uma coisa é certa, o cristão possui pelo menos um dom vindo de Deus.
É importante entendermos que os dons são extremamente variados. Encontramos várias listas na Bíblia. Infelizmente, a igreja ao longo de sua história, deu mais ênfase a três dons apenas (línguas, profecias, e curas). Para mim, esta ênfase mostra mais um desejo de ser admirado do que de edificar a igreja de Jesus. Há inclusive denominações e doutrinas que pregam que se você não tiver o dom de línguas, você não é batizado no Espírito Santo. Ou seja, você é um cristão de segundo categoria.
Nós cremos que no momento da conversão, recebemos o Espírito Santo em Sua plenitude, ou seja, somos batizados com o Espírito. E recebemos também pelo menos um dom. Além disto, a Bíblia manda que busquemos outros dons, que busquemos os melhores dons. Eu aprendo que eu posso pedir a Deus por um dom específico. Se eu tenho a motivação correta, eu posso pedir a Deus o dom de línguas, posso pedir o dom de interpretação de línguas. Posso pedir a Deus outros mais importantes como a profecia e outras mais simples como o exercício de misericórdia.
Contudo, o nosso texto é bastante específico com relação aos dons. Paulo lista apenas 5 dons. Estes cinco dons, todavia, são os dons responsáveis pelo ensino do corpo, pela preparação dos santos para a obra do ministério.
E minha pergunta é:


2. Quais são os dons que preparam os santos para o ministério? (v.11)
Em apenas um versículo, Paulo lista os cinco dons de ensino da igreja.
Vamos ver rapidamente algumas características destes 5 dons:


a) Apóstolos:
Existem três significados diferentes para a palavra apóstolo na Bíblia. 1) enviado – Em João 13:16 lê-se, “O servo não é maior do que seu senhor, nem o enviado (apostolos) maior do que aquele que o enviou.” Neste sentido, todo crente é um apostolo pois todo crente precisa ser servo e enviado. Mesmo que não seja enviado para outro país, região, povo, você é enviado para o seu círculo de relacionamento, seu bairro, seu emprego, etc. Todo crente é enviado como embaixador de Cristo. No contexto de Efésios, Paulo não está falando deste tipo de apóstolo, pois o texto é claro quando diz que Jesus designou apenas alguns como apóstolos. 2) Outro significado de apostolo vem daqueles que foram comumente chamados de “apóstolos das igrejas” Em 2 Coríntios 8:23 está escrito, “quanto a nossos irmãos, eles são representantes das igrejas e uma honra para Cristo.” A palavra representante aqui está traduzindo a palavra grega apóstolos. Estes eram um grupo de mensageiros enviados por alguma igreja. Normalmente, eles ajudavam a terceira categoria de apostolo que são os: 3) “apóstolos de Cristo” – estes sim, eram um grupo muito pequeno e distinto de cristãos, neste caso estão incluídos os 12 apóstolos (Matias que substituiu Judas), Paulo, Tiago e possivelmente um ou dois mais. É provavelmente este grupo ao qual Paulo está se referindo aqui.
Se aqui, Paulo se refere aos apóstolos de Cristo, então não existem mais apóstolos hoje. Eles são considerados os meios pelo qual Deus revelou a Sua vontade para a igreja. O mais próximo, contudo que temos hoje do trabalho que os apóstolos de Cristo realizaram talvez seja uma obra missionária pioneira, ou implantações de igrejas em áreas pouco alcançadas pelo evangelho.
Os autodenominados apóstolos de nossos dias, não são detentores deste dom que Paulo está falando. O simples fato de colocar este dom à frente dos demais dons já mostra que ele estava falando de uma categoria única e separada para fazer aquela obra inicial de propagação do evangelho. Na verdade, os apóstolos tinham que receber um dom especial pelo nível de sofrimento que eles passavam. Ser apóstolo era sofrer mais que todos; era padecer perseguições mais que todos. Todos os apóstolos morreram pela causa do evangelho com exceção de João que morreu aos 100 anos de idade no alto de sua velhice.
Os apóstolos de hoje tem contas bancarias recheadas de dinheiro. Possuem aviões, jóias, guarda-costas. Eles são um escândalo para o evangelho e não aqueles que preparam os santos para a obra do ministério.


b) Profetas
Assim como apóstolos, os profetas foram um grupo distinto de pessoas que receberam uma missão especifica de lançar os fundamentos para a edificação da igreja. A Bíblia fala de profetas no Novo Testamento e do dom de profecia, contudo, estes não são iguais aos profetas que falavam em nome de Deus com as palavras “Assim diz o Senhor”. Durante o período do AT, os profetas serviam para denunciar os desvios do povo, orientar o povo, mostrar o caminho do Senhor.
Os profetas do NT recebem de Deus a responsabilidade de encorajar, edificar e consolar a igreja. Em Atos 15:32 diz, “Judas e Silas, que eram profetas, encorajaram e fortaleceram os irmãos com muitas palavras.”
Portanto, deve-se fazer uma distinção de quem eram os profetas do AT e quem são os profetas da igreja.
Um terceiro dom mencionado nesta lista é o dom de:


c) Evangelista
Quando penso em evangelista, logo me vem à mente Billy Graham. Ou seja, alguém que viveu sua vida pregando a mensagem da salvação em Cristo por todas as nações. O evangelista é especialista em pregar mensagens que enfatizem a cruz e que mostrem ao ouvinte sua necessidade de salvação.
Precisamos de evangelistas hoje. Principalmente neste mundo tão secularizado, onde tudo é relativo. O evangelista pregará verdades absolutas tanto em massa quanto de pessoa para pessoa, mostrando que Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje, e eternamente.
Depois temos o dom de:


d) Pastores e Mestres
Ainda que alguns vejam Pastores e Mestres como sendo um mesmo dom. Eu acredito que são dons distintos. Pastores são responsáveis pelo cuidado e alimento das ovelhas. Neste sentido todo pastor deva ser também um mestre, ao passo que nem todo mestre precisa ser pastor.
Eu vi isto muito de perto quando vivi nos EUA. O seminário em que estudei era bastante claro de perceber os dois dons. Havia professores que eram mais pastores que mestres e outras que eram apenas mestres. Nada de errado com isso. Os professores pastores não eram melhores, mas como havia neles o dom pastoral, eles se importavam mais com a nossa vida de forma geral do que apenas intelectual. Ao ponto que os professores mestres eram um pouco mais racional neste sentido e priorizava aspectos técnicos em detrimento de outros mais subjetivos.
Às vezes em uma congregação existem outras pessoas alem do pastor com este dom. E Deus as usa para que haja o cuidado mútuo dentro da igreja.
O importante aqui para nós como igreja do Senhor é saber que mesmo que nem todos os dons estejam disponíveis para nós hoje (como o de apóstolo, por exemplo), os demais estão à nossa disposição.
Quanto mais diluído for o evangelho com a cultura, com interesses econômicos, com a apostasia dos últimos tempos, com a falta de amor mútuo, com interesses pessoais, MAIS vai existir a necessidade de se buscar os dons do ensino para a edificação e capacitação dos santos para o ministério.
Precisamos de uma geração de profetas, evangelistas, pastores e mestres que estejam comprometidos com o evangelho e com o Senhor do evangelho.
A igreja brasileira passa por uma crise sem igual. Somente a história irá mostrar o tamanho da irrelevância e estagnação da igreja em nosso país. Precisamos buscar os dons que podem mudar esta situação.
E porque devemos buscar estes dons hoje? Quais são os resultados do uso efetivo destes dons?


3. Quais os resultados práticos para a igreja quando estes dons são usados. (vs. 12-16)
Logo de cara o apóstolo nos dá 5 razões para implorar a Deus por estes dons.
a. Preparar os santos para a obra do ministério;
b. Para a edificação do corpo de Cristo;
c. Para alcançar a unidade da fé e do conhecimento de Cristo;
d. Para chegarmos à maturidade como cristãos; e
e. Para que não sejamos como crianças inconstantes e influenciadas.
Esta lista completa infelizmente não se vê muito hoje em dia. Paulo sabia da importância destes dons para que a igreja crescesse saudável e cumprisse a sua missão na terra.
Não há igreja genuinamente cristã sem que o serviço seja colocado em prática. Estes dons, contudo, leva cada um de nós ao serviço. Servir um ao outro, servir a comunidade, trabalhar com afinco a fim de ver uma igreja relevante no bairro ou na cidade em que vive.
Aparentemente os resultados destes dons servem apenas para o crescimento interno, ou seja, crentes mais maduros e igrejas mais fortes. Contudo, uma vez atingido este objetivo, a igreja terá muito mais condição e força para ir com mais eficiência e resultados.
A proposta de Paulo aqui é justamente uma igreja que começa servindo aqui dentro. Aprendendo que a nossa vida não é para nós mesmos mais para ser gasta em serviço ao próximo e a partir daí, levamos este ensinamento para a sociedade em geral. Assim como Jesus veio para servir e para dar Sua vida em favor de muitos, nós também devemos servir uns aos outros dentro e fora de nossa comunidade.
Jesus é o nosso maior modelo de serviço. Ele que poderia ordenar os anjos para servi-lo, não fez prerrogativa de sua divindade e apenas serviu. Se Jesus (o próprio Deus encarnado) veio para servir, quanto mais nós, seguidores dele.
Este serviço inclui do líder ao mais recente membro de nossa comunidade. Portanto, devemos ter em mente que a igreja não pode ser construída no modelo de pirâmide, pois não existe ninguém acima de ninguém. Outro modelo que devemos abolir é o modelo do ônibus, onde o motorista é o pastor e a congregação vai sendo levada para onde o pastor quer sem nenhum serviço real a fazer.
O modelo proposto por Paulo é o do corpo. É aqui onde encontramos um modelo coerente com a proposta do serviço cristão. Ou seja, Cristo é a cabeça e todos nós somos os membros. Não há mais hierarquia ou nível de importância. Somos todos iguais e necessários dentro do corpo.


1 Coríntios 12:12-27, “Porque, assim como o corpo é um, e tem muitos membros, e todos os membros do corpo, embora muitos, formam um só corpo, assim também é Cristo. Pois em um só Espírito fomos todos nós batizados em um só corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos quer livres; e a todos nós foi dado beber de um só Espírito. Porque também o corpo não é um membro, mas muitos. Se o pé disser: Porque não sou mão, não sou do corpo; nem por isso deixará de ser do corpo. E se a orelha disser: Porque não sou olho, não sou do corpo; nem por isso deixará de ser do corpo. Se o corpo todo fosse olho, onde estaria o ouvido? Se todo fosse ouvido, onde estaria o olfato? Mas agora Deus colocou os membros no corpo, cada um deles como quis. E, se todos fossem um só membro, onde estaria o corpo? Agora, porém, há muitos membros, mas um só corpo. E o olho não pode dizer a mão: Não tenho necessidade de ti; nem ainda a cabeça aos pés: Não tenho necessidade de vós. Antes, os membros do corpo que parecem ser mais fracos são necessários; e os membros do corpo que reputamos serem menos honrados, a esses revestimos com muito mais honra; e os que em nós não são decorosos têm muito mais decoro, ao passo que os decorosos não têm necessidade disso. Mas Deus assim formou o corpo, dando muito mais honra ao que tinha falta dela, para que não haja divisão no corpo, mas que os membros tenham igual cuidado uns dos outros. De maneira que, se um membro padece, todos os membros padecem com ele; e, se um membro é honrado, todos os membros se regozijam com ele. Ora, vós sois corpo de Cristo, e individualmente seus membros.”
A visão de Paulo para equipar e edificar a igreja vem de um serviço mútuo onde somos todos iguais e de igual importância.
E assim, cada um se utilizando do seu dom, do seu ministério, da sua porção dentro do corpo, o corpo cresce em tudo. Esse crescimento, contudo, não significa necessariamente numérico, mas sim, em aspectos dos mais diversos.
Crescimento em amor, crescimento em serviço, crescimento em relevância social, crescimento em obras, crescimento em fé, crescimento da comunhão, crescimento da unidade, crescimento em tudo NO SENHOR.
Você tem um ministério, um dom, que deve ser usado para edificação do corpo. Esse dom que Deus te deu não pode ser usado de modo EGOÍSTA, ou seja, para satisfazer seus desejos ou interesses, mas de forma ALTRUÍSTA, ou seja, para servir ao próximo.
Por fim, Paulo nos diz que o propósito é para não sermos como crianças. Jesus quer que tenhamos a inocência de uma criança, a pureza de uma criança, a humildade de uma criança, CONTUDO, sem a sua ignorâncianem sua instabilidade.
Veja que Paulo fala de ventos de doutrina, astúcia, esperteza de homens que induzem ao erro. Quantas igrejas estão repletas de lobos em pele de cordeiro? Quantas igrejas já corromperam tanto o evangelho que quando alguém sério quer pregar o evangelho de verdade este soa como algo estranho.
Infelizmente isto está acontecendo diante de nossos olhos. Estamos vendo o povo ser enganado. Estamos vendo líderes deturpando a mensagem para conseguir levar vantagens financeiras e outras coisas. Jesus disse que estas pessoas terão seu julgamento. Todavia é nossa responsabilidade equipar a igreja para que ela não caia nestas armadilhas. Antes ela siga a Cristo em amor e em serviço. Que ela busque crescer nEle e fazer a Sua vontade.
Novamente eu pergunto qual o seu dom? Quando você se omite de colocar em prática o seu dom, o corpo inteiro sofre.


Que Deus nos ajude!
Oremos.